ABHH em Revista #05/2022

05 / 2022 A B H H e m R e v i s t a 15 paciente até a sua aplicação no paciente, existem etapas de produção e um controle de qualidade nesse processo que pode durar até 40 dias. “Já temos atualmente estratégias para não deixar que a doença evolua até que as células CAR-T fiquem prontas para o tratamento”, explica o hematologista. Os efeitos adversos da terapia também seguem como ponto de atenção dos pesquisadores. Apesar de ser um tratamento com perfil de segurança manejável e eficaz para alguns pacientes com determinadas doenças onco-hematológicas refratárias ou recidivadas, a nova modalidade terapêutica traz também complicações e eventos adversos novos com os quais o hematologista não está familiarizado como a síndrome de liberação de citocinas e as toxicidades neurológicas. “Esses efeitos são temidos ainda, mas, há cada vez mais conhecimento sobre sua fisiopatogenia, modulação clínica e tratamento”, explica o Dr. Carmino. E, além das preocupações com a segurança, o preço associado à terapia, que varia entre 375 e 425 mil dólares, tem sido visto como obstáculo para uma implementação clínica mais ampla do CAR-T Cell. Uma alternativa para torná-lo acessível no Brasil, analisa o Dr. Cunha, seria adquirir a licença de um vetor ou produto já aprovado em todas as fases pelas autoridades competentes. “Nesse caso, precisaríamos trabalhar com questões de royalties e licenciamento de mercado. Acho que esse é um caminho para fazer o CAR-T Cell mais acessível para nossos pacientes. Iniciativas acadêmicas, como a espanhola, são muito promissoras do ponto de vista de acesso, que é algo que temos discutido bastante”, ressalta. “O Brasil tem um sistema híbrido de saúde. A indústria farmacêutica pode trazer o produto e entregar para o sistema de saúde suplementar ou mesmo vender para o Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, o Brasil pode ter iniciativas próprias que ofereça a possibilidade de ser produzido em território nacional com a expectativa de seguir um caminho semelhante ao da indústria, porém, com custo e valores adequados para a nossa realidade”, avalia o pesquisador da USP. E quanto ao futuro? Essa e outras alternativas seguem em diálogo para que a incorporação da terapia com Dr. Marco Aurélio Salvino, professor de Hematologia da Universidade Federal da Bahia e coordenador do Centro de Terapia Celular do Hospital San Rafael Dra. Lucila Nassif Kerbauy, médica hematologista transplantadora de medula óssea do Hospital Albert Einstein Dr. Marcelo Pasquini, professor associado de Medicina na Divisão de Hematologia e Oncologia do Medical College of Wisconsin Dr. Alexandre Hirayama, hematologista da Divisão de Pesquisa Clínica e Centro de Pesquisa Integrada de Imunoterapia do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinso Os especialistas abaixo opinam: o CAR-T Cell será o assunto do ano para a hematologia? Clique no ícone de áudio e ouça! AMPLIANDO O DEBATE Clique aqui para acessar o Consenso Brasileiro sobre Células Geneticamente Modificadas, documento elaborado com a participação de cerca de 60 especialistas.

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