ABHH em Revista #05/2022

A B H H e m R e v i s t a 05 / 2022 16 CAR-T Cell seja acessível a todos os pacientes. “Uma de nossas maiores preocupações é garantir equidade aos pacientes brasileiros. Não podemos subtrair de nossa sociedade esses avanços e devemos encontrar alternativas sustentáveis financeiramente em conjunto com todos os atores envolvidos para isso ocorrer, o que a ABHH tem feito. No passado, o TMO parecia inatingível e fomos, gradualmente, encontrando os meios. Espero que assim seja com o CAR-T Cell”, afirma o Dr. Carmino. Nesse cenário, acrescenta o diretor da ABHH, as universidades e os centros de pesquisa devem participar com o desenvolvimento de tecnologias e os processos que facilitem a redução desses custos e aumentem a segurança e a efetividade no tratamento. “Elas precisam estar envolvidas nesse processo com o CAR-T Cell com o objetivo de mitigar riscos aos pacientes. Já temos resultados concretos dessa participação e o mais notório foi obtido pelo grupo de pesquisas da USP de Ribeirão Preto, no qual trabalha o Dr. Cunha. Creio que a criação de acordos e a criação de consórcios entre universidades e centros de pesquisas, como o Instituto Butantã, poderão criar um caminho de acesso por meio do campo acadêmico”, analisa. Na visão de ambos, o CAR-T Cell não substituirá tratamentos onco-hematológicos já utilizados, mas sim oferecerá alternativa ou mesmo ser um complemento a outros procedimentos terapêuticos. “O transplante de medula vai conviver conosco por bastante tempo. O tratamento alogênico deve persistir. O CAR-T, neste momento, assume papel de resgate das terapias e o alogênico tem um papel de consolidação em praticamente 100% das situações. Então, talvez sejam combinados e, com certeza, deve ter combinação com a imunoterapia também. Nesse cenário, acho que o CAR-T talvez entre como agente adicional a outras plataformas como as drogas-alvo”, opina o professor da USP, que vê o Brasil pronto para o uso do CAR-T Cell. “Há uma sintonia entre indústria, academia, associações científicas e outros atores para que a terapia celular avançada encontre um ambiente propício para se consolidar. É possível utilizar a estrutura existente em vários centros de transplante”, diz. A próxima década, opina o pesquisador, será importante para consolidar o tratamento com CAR-T-Cell como opção no Brasil. “A terapia celular avançada é uma área complexa em todos os níveis, não só do ponto de vista de produção e tratamento, mas do ponto de vista regulatório de introdução desse tratamento no mercado. A ABHH cumpre bem o seu papel de criar grupos com especialistas, de estar em contato com os principais atores desse cenário e, por isso, acho que é bastante promissor o cenário brasileiro e sou um entusiasta de que em breve essa terapia será uma realidade no Brasil”, diz. O HEMO PLAY Podcast discutiu no começo do ano a aplicação prática da terapia com células CAR-T em dois episódios, que tiveram a participação do Dr. Renato Cunha e do Dr. Jayr Schmidt Filho, chefe do Departamento de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular do A.C Camargo Center. Podcast da ABHH sobre CAR-T Cell Clique aqui para ouvir os episódios! debate ABHH

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