A B H H e m R e v i s t a 05 / 2022 26 ABHH em ação Há 40 anos vem se construindo no Amazonas uma base para prestação de serviços hematológicos e hemoterápicos às pessoas e ao SUS. Começou no fim dos anos 1970, com um “banco de sangue” no Hospital da Universidade Federal do Amazonas. Depois, conquistou espaço próprio, o HEMOAM, que sempre primou pela qualidade tanto na oferta de serviços e hemoderivados quanto na formação de pessoas do nível técnico ao programa institucional de Mestrado e Doutorado. Daí advêm a pesquisa e a produção científicas. Paralelamente a esses esforços na capital, sempre tivemos uma situação preocupante no interior de um estado de dimensões com 1,5 milhão de quilômetros quadrados e 66 municípios. Assim, foi planejado um sistema de agências transfusionais com pequenas estocagens nos hospitais regionais nas sedes dos municípios e depois com doadores locais cujas amostras de sangue vinham de avião para Manaus e, após os devidos testes, o sangue era liberado para utilização. Essas “agências transfusionais” estão evoluindo para hemonúcleos, que terão procedimentos hemoterápicos diferenciados. A assistência à saúde é multifacetada. O HEMOAM se esmera em fazer a sua parte ao buscar incorporar tecnologias de ponta e inaugurar, em breve, o Hospital do Sangue na capital. Além disso, o HEMOAM segue envolvido no suporte técnico e logístico aos 66 municípios do interior e destaco a inauguração do hemonúcleo em Coari. Este município figura como grande polo de saúde no médio do Rio Solimões, dispondo, além do hemonúcleo, de um campus da Universidade Federal do Amazonas com cursos de Medicina, Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia e uma unidade do Instituto de Medicina Tropical, além da rede própria da municipalidade com Hospital Regional, Policlínica, rede de UBSs urbanas e UBS fluvial que presta serviços itinerantes a comunidades ribeirinhas. A Amazônia remota precisa do salto tecnológico, precisa ser vista pelos agentes públicos e, neste cenário, a Hematologia e os hematologistas do Amazonas cumprem o seu papel e dão exemplo. Dra. Leny Nascimento da Motta Passos É diretora da ABHH e professora da Universidade do Estado do Amazonas de diagnósticos rápidos, coleta e transfusão de sangue. O projeto do HEMOAM prevê a construção de hemonúcleos em sete cidades do interior. Em junho, a cidade de Coari, a 363 quilômetros de Manaus, foi a primeira a receber o centro. “O projeto é eficiente e um modelo a ser seguido em outros estados. Ele está em consonância com o projeto de geoequidade da ABHH, que é, cuidar do paciente hematológico com qualidade em qualquer lugar em que ele esteja”, parabenizou o Dr. Marques. Além do HEMOAM, a comitiva da ABHH conheceu as instalações do futuro Hospital do Sangue. Com cerca de 70% das instalações concluídas, o hospital deve aumentar em até seis vezes a capacidade atual de assistência hematológica e oncohematológica do estado e contará com estrutura para realização de transplantes de medula óssea no local. “A visita da ABHH é honrosa para o HEMOAM no momento em que estamos ampliando e modernizando nossos serviços. Esse apoio para nós, tanto em nível profissional quanto em nível técnico, demonstra o comprometimento dessa gestão com a Hematologia e Hemoterapia de forma equitativa, ou seja, independentemente da região do país”, ressalta a Dra. Socorro. Na mesma linha, a Dra. Leny destaca como muito proveitosa a ida do presidente da ABHH até Manaus. “Ela representa a busca da equidade, que é hoje um projeto da ABHH, para o desenvolvimento da Hematologia e Hemoterapia no país. A possibilidade de reconhecer as diferenças regionais e oferecer programas que supram essas diferenças é fundamental para o crescimento da hematologia brasileira”, enfatiza. Hematologistas do Amazonas dão exemplo
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