ABHH em Revista #05/2022

05 / 2022 A B H H e m R e v i s t a 31 E le é testemunha privilegiada do florescimento da hematologia enquanto especialidade no Brasil. Pesquisador reconhecido internacionalmente e pioneiro no transplante de medula óssea (TMO) no país, o hematologista Ricardo Pasquini completa 60 anos de profissão, mais de 50 dedicados só à hematologia. Também em 2022, chega aos 84 anos de idade. Filho mais novo do ceramista Pedro Pasquini e da dona de casa Terezita Pasquini, ambos descendentes de imigrantes italianos, ele tem dedicado sua carreira à produção científica, à docência e aos milhares de pacientes transplantados no pioneiro Serviço de Transplante de Medula Óssea (STMO), criado dentro do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), onde atualmente é professor emérito. Contudo, mesmo aposentado da UFPR por força da lei, quando completou 70 anos em 2008, Pasquini mantém o hábito de participar, às segundas-feiras e quintas-feiras, às 7h30, da reunião com a equipe médica do HC para saber a situação dos transplantados e os candidatos a receber uma nova medula. À tarde, segue para o Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), onde cuida do setor de TMO, e ainda atende a alguns pacientes em seu consultório, decorado com um quadro com um desenho dos médicos norte-americanos Robert Good, George Santos e Donald Thomas, pioneiros no TMO. Em sua carreira, Pasquini reúne conquistas, que são motivo de muito orgulho. Ele tem três filhos e quatro netos, orientou dezenas de mestrandos e doutorandos, participou da fundação da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, da qual foi o primeiro presidente, publicou livros que se tornaram referências para diferentes gerações, escreveu mais de duas centenas de artigos em revistas especializadas, se tornou membro da Academia Paranaense de Letras, virou nome de prêmio e ganhou uma infinidade de honrarias – uma das mais relevantes foi a comenda Ordem do Mérito Médico, que recebeu em 1988 do presidente da República. Este ano, foi condecorado pelo sistema de saúde alemão (DKMS). “Felizmente, o reconhecimento pelo meu trabalho é grande. Difícil eleger o mais importante. Mas todas as homenagens são importantes”, comenta Pasquini. Primeiros passos Desde cedo, ele conta ter se sentido profundamente atraído pela hematologia. Seu irmão mais velho, Darcy, engenheiro químico, foi quem o apresentou à vaga existente no laboratório de análises clínicas da cidade, lugar em que o adolescente de 14 anos passava as tardes trabalhando e tomando gosto pela área, se especializando em áreas ligadas às lides laboratoriais. Aos 15 anos, já integrava a equipe do laboratório da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba e lá conheceu o fundador da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Dr. Atys Quadros da Silva. “Ele trouxe dos Estados Unidos a concepção moderna sobre a anatomia patológica e a patologia clínica. Fundou a SBP,juntamente com outros patologistas brasileiros, um marco para a medicina brasileira”, diz. Toda essa experiência, que incluía a aproximação aos pacientes internados, o atraiu fortemente para a medicina. Antes de entrar para a faculdade, trabalhou no Hospital Santa Casa de Misericórdia e mais tarde foi estagiário no Hospital das Clínicas da UFPR, onde aprendeu novas técnicas laboratoriais. Aos 18 anos, quando entrou para medicina na UFPR em 1957, Pasquini já possuía mais experiência em determinadas áreas médicas em relação à maioria dos colegas. Foi nessa época que ele começou a apresentar seus primeiros trabalhos científicos e conheceu sua esposa, Francylena Camargo Pasquini, já falecida. Dos três filhos que tiveram, o único que seguiu os passos do pai foi Marcelo Pasquini, que atua como Full ProfesMesmo aposentado da UFPR, Pasquini mantém o hábito de participar, às segundas-feiras e quintas-feiras, às 7h30, da reunião com a equipe médica do HC para saber a situação dos transplantados

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