05 / 2022 A B H H e m R e v i s t a 33 Oncologia e o de Transplante de Medula Óssea. “Era preciso mudar. A residência médica brasileira estava muito aquém em relação à norte-americana. Assim, o residente brasileiro também passou a ser o primeiro a ver o paciente e dar sua opinião. O objetivo era que ele não fosse influenciado por ninguém para que realmente entendesse o caso”, observa o professor. Pioneirismo no TMO Em outubro de 1979, seu nome entraria de vez para a história da medicina por liderar o grupo de médicos responsável pelo primeiro transplante bem-sucedido de medula óssea na América Latina. “Éramos cinco hematologistas no grupo, com destaque para o Dr. Eurípides Ferreira na identificação dos doadores e no planejamento clínico. Ficamos dois anos aprimorando as técnicas e em 1985 já havia 60 pessoas transplantadas. Esses dados foram publicados, em 1985, na revista Human Immunology, demonstrando que o curso pós-TMO no Brasil não diferia substancialmente daqueles observados nos países de primeiro mundo. Mas, para tudo isso, foi fundamental contar com a ajuda da comunidade, que auxiliou na compra de equipamentos e nas reformas que precisaram ser feitas”, recorda o professor. Em 1993, ele coordenou ainda o primeiro transplante de células do cordão umbilical na América Latina e, em 1995, o primeiro transplante de medula óssea de um doador não aparentado oriundo da Alemanha. Em 1988, o professor fundou a Associação Alírio Pfiffer, organização sem fins lucrativos, que presta assistência aos pacientes e angaria recursos para manter a unidade equipada e para garantir a formação continuada da equipe médica. A entidade foi batizada com o nome do primeiro paciente a receber o transplante no HC da UFPR. “A Associação contribuiu de modo significativo na expansão da unidade do TMO nas suas áreas físicas, área de internação, área de atendimento externo (ambulatórios), na aquisição de equipamentos e na obtenção de medicamentos ainda não disponíveis no Brasil ou daqueles que eventualmente possam faltar em alguns momentos conhecidos nos serviços públicos”, afirma. A entidade administra ainda uma residência com 22 leitos reservados a pacientes que estão sendo atendidos em ambulatório, recém- -transplantados ou aqueles de fora de Curitiba, que vêm periodicamente para os controles pós-TMO. Além disso, nos seus 40 anos de atividades ininterruptas e commais de 3.200 procedimentos realizados (90% deles alogênicos), o STMO/HC/UFPR foi fundamental não só para os pacientes, mas para o treinamento e a formação de mais de uma centena de profissionais das áreas de saúde envolvidas no processo do TMO não apenas do Brasil, mas também de grande parte da América Latina. “Há oito anos, dois médicos e três enfermeiras ucranianas estiveram aqui durante três meses para se aperfeiçoarem”, conta. Autor de diversos capítulos de livros e artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, Pasquini é coeditor, junto ao Dr. Roberto Passetto Falcão e Dr. Marco Antônio Zago, do “Tratado de Hematologia”, um dos livros de hematologia nacionais mais utilizados – durante a produção deste perfil para a ABHH em Revista, ele estava organizando sua parte na 3ª edição do Tratado, com previsão de lançamento em 2023. Também foi coeditor do livro sobre “Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas” cujo editor foi o Prof. Dr. Júlio César Voltarelli. Responsável pela formação de especialistas em diferentes lugares do país e do mundo, seu conselho para os jovens hematologistas é fiel ao seu estilo conhecido por seus pares: econômico nas palavras, mas direto na mensagem que realmente importa. “Sejam ousados e não tenhammedo de aprender.” Éramos cinco hematologistas no grupo, com destaque para o Dr. Eurípides Ferreira na identificação dos doadores e no planejamento clínico. Ficamos dois anos aprimorando as técnicas e em 1985 já havia 60 pessoas transplantadas
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