Vigilância em Saúde

e limpeza ambientais e pessoais. Além disso, foram investigadas as fichas de intercorrências de todos os alunos envolvidos e foram realizadas coletas de amostras biológicas para realização de exames parasitológicos de fezes, cultura de bactérias (coprocultura) e pesquisa de vírus e de alimentos (água e leite). Justifica-se a análise do leite porque inicialmente houve suspeita de que este alimento pudesse ser o motivo do agravo, pois houve a substituição da marca pouco antes da ocorrência dos casos. O protocolo de investigação incluiu análise de amostra única do alimento (no caso, o leite), amostras de fezes de acordo com o número de alunos matriculado nas creches e número de casos para que pudesse ser representativa. Para as análises de água incluíram-se 100 ml para a investigação microscópica e 20 L para a microbiológica. RESULTADOS Todas as amostras de leite apresentaram resultados satisfatórios (100%), sendo excluída a possibilidade de contaminação por este alimento. As amostras de água analisadas (100%) indicaram ausência de Coliforme, Giárdia e Cryptosporidium. No entanto, as amostras do material biológico das crianças (fezes) indicaram a presença de Norovírus, E. coli, E. nana, Cryptosporidium e A. lumbricoides entre 54 % das amostras analisadas. As meninas foram mais afetadas (51%) do que os meninos (49%). Foi realizado o teste do Qui-quadrado (χ2) para testar as relações de dependência entre as variáveis (dependente, presença de diarreia e independente, como sexo, localização da creche e outras) ao nível de significância de 5%, nível descritivo (p) com valores inferiores ou iguais a 0,05. Valores com nível de confiança acima de 70% foram válidos para efeito de relação estatística. Os cálculos foram realizados com o auxílio do programa STATA v14.0. Apenas o grupo bacteriano (E.coli) mostrou-se associado à diarreia (nível de confiança de 96,00%). Quando se realizou o teste de χ2 para os demais agentes potencialmente causadores de diarreia os resultados apontaram que não havia associação entre os casos positivos para esses agentes e à ocorrência da diarreia. CONSIDERAÇÕES FINAIS Não foram investigados brinquedos ou outros materiais que as crianças têm contato direto nas unidades escolares. Os adultos também não tiveram seus materiais biológicos coletados, embora alguns tenham apresentado o mesmo sintoma. As providências imediatas envolveram a aquisição e fornecimento de medicação para tratamento imediato das patologias apresentadas, segundo recomendações do GVE e agendamento de consulta com pediatra, na VIEP, para as crianças que apresentaram resultados positivos. Foram realizadas recomendações no tocante a capacitação para os funcionários (cuidadores) a ser realizada por empresa credenciada. A justificativa baseou-se no fato de que foi verificada, durante a inspeção, falhas na conduta quanto á higiene das crianças. Outra recomendação incluiu a capacitação para os funcionários (limpeza predial), uma vez que foi observada durante a inspeção sanitária, falhas na conduta quanto á higiene do local. Por fim, foi sugerida a capacitação para os funcionários (manutenção), a ser realizada por empresa credenciada, para que os mesmos realizem a limpeza e retro lavagem do filtro instalado antes da bomba de água. Tal recomendação justificou-se no fato de ter sido verificada, durante a inspeção, falhas na conduta quanto á higiene e manutenção dos filtros de água. Por fim, concluise que há urgência na capacitação de todos os envolvidos no cuidado das crianças no tocante às ações de prevenção das doenças diarreicas. Referências Bibliográficas BENNETT J. C., PLUM F. et al. CECIL-Tratado de Medicina Interna – Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 20ª edição, 1996. DANTAS R. O. Diarreia e Constipação Intestinal. Medicina, Ribeirão Preto, 37: 262-266, jul./dez. 2004. ATENÇÃO BÁSICA 16

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