METODOLOGIA Caramujos da espécie Achatina fulica foram coletados em diferentes regiões da cidade de São Paulo, entre os anos de 2016 e 2017 e encaminhados a Divisão Vigilância em Zoonoses (DVZ-SP). Os moluscos foram submetidos a exames laboratoriais para extração de larvas de nemátodos. Suas conchas foram quebradas e o cefalopódio foi cortado em fatias finas, que foram misturadas com solução de pepsina a 4% e 0,7% de HCl e aquecidas em banho-maria por 2h, a 37°C. Após filtragem o sedimento foi analisado em microscópio estereoscópico a procura de larvas, que quando presentes foram recuperadas e submetidas a extração do DNA, sendo identificadas pelo protocolo de PCR. RESULTADOS A pesquisa foi realizada em 936 espécimes de Achatina fulica, divididos em 492 amostras. As larvas de nemátodos foram encontradas por observação visual em 183 amostras, testadas por PCR. Destes, 97 amostras apresentaram bandas específicas compatível com Angiostrongylus cantonensis e 21 amostras foram compatíveis com Ancylostoma caninum. CONSIDERAÇÕES FINAIS O DVZ-SP vem realizando, desde 2016, diagnósticos de rotina para larvas de Angiostrongylus spp, em espécimes de Achatina fulica coletadas em todo município, a fim de implementar a vigilância epidemiológica das zoonoses e controlar a disseminação do caramujo africano. Nesse trabalho, apresentamos os nematóides zoonóticos Angiostrongylus cantonensis e Ancylostoma caninum, encontrados em A. fulica, que podem representar riscos para a saúde de seres humanos e animais. Infecções de A.fulica com A.caninum são achados incomuns e foram relatados pela primeira vez em 2014 nas Filipinas. Este é o segundo relato de A. caninum encontrados nesses vetores no mundo. Notavelmente, 53% (97/183) dos testes foram positivos para A. cantonensis, destacando a importância de A. fulica como vetor para a disseminação desse nematóide. Outros agentes já foram detectados em A. fulica, incluindo larvas de Aelurostrongylus abstrusus (parasita de pulmões de gatos) descritos no Brasil (em São Paulo) e Colômbia, Angiostrongylus vasorum (parasita de intestino de cães), na Colômbia. Estudos adicionais são necessários para a caracterização das larvas encontradas nos caramujos Achatina fulica, permitindo avaliar se elas representam riscos para a saúde pública e animal, bem como para a melhoria dos procedimentos de triagem e diagnóstico. Como pouco se sabe sobre a ocorrência desses parasitos na cidade de São Paulo, os dados apresentados neste estudo permitem um melhor entendimento sobre essas doenças e evidenciam a necessidade de continuar mapeando sistematicamente, os locais que podem estar infestados com o molusco. Assim para prevenir essas doenças, ações em vigilâncias malacológicas e parasitológicas devem ser tomadas e combinadas com um controle contínuo e integrado dos caramujos, ratos, cães e gatos. A educação em saúde pública é também um componente essencial para a prevenção do consumo (acidental ou não) deste molusco por animais ou pessoas, através de vegetais crus ou alimentos mal higienizados. ATENÇÃO BÁSICA 217
RkJQdWJsaXNoZXIy NjY5MDkx