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Revista Vestir
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Por Anderson Dias | Foto Shutterstock
midamente, um mês muito bom, mas
que, por compor um ano muito ruim,
ainda não foi capaz de reverter a forte
redução na produção do vestuário.”
No estado de São Paulo, o Governo
anunciou em 20 de dezembro de 2012 o
Decreto 58765/12, que define alíquota
de ICMS em 7% para o setor, mas ape-
nas em alguns produtos. Os outros têm
12%. “É alguma coisa, mas apenas palia-
tivo. O Estado precisa parar de conceder
ações pequenas e sinalizar se quer ou
não manter ‘vivo’ o setor têxtil e do ves-
tuário por aqui. Essa, inclusive, é uma
de nossas reivindicações”, argumentou
Stefanos Anastassiadis, vice-presidente
do Sindivestuário e proprietário da
Controvento, confecção especializada
em moda feminina. Por várias vezes o
Governo Paulista já anunciou algumas
medidas pensadas especificamente
para o vestuário. Essas ações são sem-
pre elogiadas pelo Sindivestuário e por
todas as entidades que representam o
setor. Entretanto, da mesma maneira,
são consideradas insuficientes para uma
recuperação concreta dessa área.
Vale lembrar que as maiores entra-
ves apontadas pelo Sindicato como vi-
lãs dos números ruins de 2012, como a
alta carga tributária do Brasil e o cres-
cimento vertiginoso da importação de
produtos asiáticos, compõem um cená-
rio ainda sem mudanças. Isso porque as
autoridades federais ainda não respon-
deram às reivindicações do setor, o que
inclui o pedido de Salvaguarda, feito em
parceria com outras associações da
classe no mês de setembro.
Aindanoaguardoderespostassobreas
reivindicações entregues no ano passado
para o Governo Federal, o setor de vestuá-
rio segue com dificuldades impostas pela
burocracia e alta tributação do Brasil.
“Nossa categoria luta muito, reivindica,
protesta e busca seu espaço, mas o
Governo simplesmente dá de ombros.
Tratamento totalmente diferente se com-
parado à tantos outros setores produti-
vos, como automobilístico e alimentício”,
esclareceu Anastassiadis.
A Salvaguarda, por exemplo, segue
sem definições, enquanto foi anunciada
em dezembro de 2012 e já vigora desde
o primeiro dia deste ano a Resolução 13.
“O que era para se transformar em uma
cobrança de alíquota de Imposto Sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) de 4% em operações interesta-
duais, com as alterações propostas e
aprovadas pelo Senado Federal, transfor-
mou-se em um emaranhado burocrático”,
explicou o proprietário da Controvento.
Apesar dealgumamelhoraemdezembro,
os números de 2012 desanimaram os
empresários do setor. É o que confirma
Anastassiadis que não demonstra otimis-
mo. “O ano de 2012 foi um dos piores de
que tenho memória. É bem verdade que
em dezembro houve uma subida, mas em
termos reais esses números não querem
dizer absolutamente nada”, analisou.
Segundo ele, não há motivos para come-
morar, sendo que é nítido que os compa-
nheiros do setor, de forma geral, estão
desanimados e muito preocupados.
Quem concorda com essa postura e
também com Stefanos Anastassiadis é
Sidney Knobloch, presidente da Nutria,
marca de roupas femininas e integrante
da diretoria do Sindicato. “Essa recupe-
ração em dezembro foi pouca para um
ano totalmente negativo, considerando
que as medidas governamentais nunca
ajudam o setor produtivo. No meu en-
tender, para que haja uma recuperação
consistente precisamos ter no mínimo
um semestre de crescimento”, analisou.
Anastassiadis prefere pensar em2013.
Como o ano passado foi ruim, para ele,
agora é hora de ‘juntar os cacos’, traba-
lhar e conferir o que vai acontecer nesse
ano. O empresário admite que algumas or-
ganizações conseguiram bons resultados,
apesar do cenário complexo e acredita
que o Governo precisa ter movimentos
claros sobre o futuro do setor do vestuário
no Brasil. “Nunca acreditei que o País pu-
desse ser uma potência mundial na área,
como são os asiáticos agora. Mas, devería-
mos, ao menos, dar conta do mercado in-
terno. E temos sido ‘engolidos’ pelos pre-
ços mais dinâmicos desses locais, como
Mianmar e Bangladesh”, lembrou.
Apesar das dificuldades, o empresário
Sidney Knobloch lembra um dos motivos
para o setor estar ‘vivo’ até agora, mes-
mo com as dificuldades atuais. “Temos
como destaque a criatividade e o jogo de
cintura do empresário brasileiro para con-
viver com todas as adversidades. Mais
do que nunca, temos uma moda nacional
muito forte, e que inclusive, tem sido re-
conhecida mundialmente”, concluiu.
Para uma
recuperação
sólida, é
preciso ter
no mínimo um
semestre de
altas, o que
não acredito
ser possível
atualmente
(Sidney Knobloch)