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Revista Vestir
5
Palavra do Presidente
Equilíbrio entre
razão e emoção
Ronald Masijah
presidente do Sindicato do
Vestuário (Sindivestuário)
Um balanço do ano que se passou
e as expectativas para 2013
De acordo com a
astro-
logia chinesa,
2013 será regi-
do pela serpente. O animal é considerado
enigmático e, sob sua influência, o novo
ano será propício para buscar o equilíbrio
entre razão e emoção. Portanto, será pre-
ciso ter metas definidas e agir com prati-
cidade, mas de maneira planejada.
Fazendo um balanço do ano de
2012, o Sindivestuário esteve envolvi-
do em diversos assuntos que estão ou
estavam travando a competitividade
da indústria do vestuário paulista e bra-
sileiro. Quando conseguimos em 2008
a redução do ICMS de 12 para 7%, o
Governo nos impingiu “travas maldo-
sas” que geraram transtornos. Após
muitas discussões, conseguimos dei-
xá-lo livre dos “cabrestos”. Agora, o
benefício é por tempo indeterminado,
o que permite ao empresário paulista
um planejamento à longo prazo.
Em conjunto com a FIESP e outros
sindicatos e associações de classe, con-
seguimos que fosse votada a unificação
de 4% de ICMS para produtos importa-
dos, uma ideia de eliminar parte da arti-
ficial vantagem competitiva do importa-
do em relação ao nacional. Entretanto, o
lobby dos importadores conseguiu fazer
com que na regulamentação da lei, o
Governo colocasse uns “cem números
de complicadores”, gerando falta de
compreensão do mecanismo por parte
dos empresários. A discussão com o
Ministério da Fazenda e o MDIC con-
tinua, pois queremos descomplicar o
processo. Além disso, o pacote só fica
completo, com a unificação do ICMS
interestadual em 4%, acabando de vez
com a Guerra dos Portos que tantos pro-
blemas têm criado para a indústria.
A desoneração da Folha de Pagamen-
tos, com a contrapartida de um imposto
de 1% (antes 1,5%) sobre faturamento
das empresas contribuiu para aliviar a
carga tributária, sem dúvida, mas me-
nos do que precisávamos. Pedimos que
o novo imposto fosse distribuído igual-
mente pelos setores, mas infelizmente
não é o que acontece hoje. Estamos
em desvantagem se comparado com o
sistema bancário, por exemplo.
Falando de conquistas, a redução do
custo da energia elétrica foi um ganho
para a indústria. Porém, ela também
tem peso diferente dependendo da in-
tensidade de consumo. Para o vestuá-
rio, podemos dizer que quase não faz
diferença. Porém, há de se iniciar nego-
ciações com fornecedores de matérias-
-primas que se beneficiaram bastante
com a medida.
Enfim, muito trabalho, vários bons
resultados e alguns nem tanto. Mas
você deve estar se perguntando, mas e
o horóscopo chinês? Já que em grande
parte de nossos pesadelos, sempre tem
um “chinesinho”, vamos ver o que a sua
sabedoria fala de 2013. Creio que com
metas bem definidas e planejamento
adequado, vamos conseguir manter a in-
dústria do vestuário e por que não dizer,
toda a cadeia têxtil e do vestuário, ativa
e revertendo o viés negativo de 2012.
Como o novo ano será propício
para buscar o equilíbrio entre razão e
emoção, a esperança fica no fato de
o Governo entender que seria uma he-
catombe para o País e para os traba-
lhadores, perder os um milhão e seis-
centos mil empregos diretos do setor.
Portanto, governos, empresários e
trabalhadores, vamos usar a sabedoria
chinesa a nosso favor. Trabalhar muito
e fazer a nossa lição de casa para dri-
blarmos as dúvidas, imprevistos e,
assim, alcançarmos a nossa meta.