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Revista Vestir
Entrevista
Competitividade
em nota fiscal, conforme determina a
atual legislação. Já a base de cálculo
comparativa é complexa e inviável, já
que, por exemplo, só no ICMS, são 27
legislações diferentes, cada estado
com sua alíquota, então, fica impossí-
vel definir um valor médio.
Esses fatos mostram a necessidade
de uma reforma tributária no País?
Honda
-
Para se iniciar uma reforma
tributária no Brasil, o principal ponto
a ser discutido e reformulado seria o
ICMS. No entanto, essa discussão será
sempre complexa, já que são 27 gover-
nadores envolvidos, preocupados com
a maior fonte de arrecadação de seus
estados e receosos em perder recur-
sos. É preciso amadurecer a discussão
política no País para que as indústrias
tenham o mínimo de competitividade
com os mercados do mundo inteiro.
No que se refere às questões traba-
lhistas, a Justiça do Brasil é conside-
rada paternalista. O que as empresas
podem fazer para se proteger?
Honda
-
A legislação trabalhista real-
mente precisa de uma reforma ampla.
A Justiça do trabalho tem um caráter
de proteção ao funcionário. Esse é um
ponto que onera muito nossa competiti-
vidade. Não adianta preservar o empre-
go se não houver atividade industrial.
Essa discussão muitas vezes esbarra
em ações populistas, representada por
grande parte dos legisladores brasi-
leiros. Não há como tornar o mercado
brasileiro mais competitivo sem es-
sas mudanças. A indústria brasileira,
do portão para dentro, é competitiva,
competente e criativa, só precisa de
ações governamentais que a auxiliem.
A redução nas tarifas de energia elétri-
ca anunciadas pelo Governo Federal e
a Renovação do Decreto Paulista que
mantém o ICMS do setor em 7% são
medidas que podem significar melho-
ras para o setor?
Honda
-
É um bom começo. A questão
da energia é a fixação de um novo valor
se houvesse um edital de licitação, não
uma redução propriamente. Feito o in-
vestimento na época das privatizações
e recuperado esse valor, não tem por-
que a tarifa continuar a mesma. Essa
foi uma batalha iniciada e vencida
com grande contribuição da Fiesp.
Essa ação melhora a competitividade
da indústria, e só assim, você equilibra
com o mercado do exterior. Ainda é pos-
sível avançar muito, há possibilidades
econômicas. De fato, o País precisa de
investimentos estruturais, ou seja, na
energia, estradas, portos, aeroportos,
A indústria
brasileira é
competitiva,
eficiente e
moderna do
portão para
dentro. É
preciso que os
governantes
deixem isso se
espalhar para o
exterior