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HEMO
janeiro/fevereiro/março 2013
entrevista
Por Tatiana Piva
Kleber Yotsumoto Fertrin foi o jovem hematologista que
ganhou a oportunidade de apresentar trabalho sobre
anemia falciforme durante o
ASH 2012
N
ascido em São Bernardo do
Campo, em São Paulo, mu-
dou-se com a família para
Campinas, interior do esta-
do quando tinha apenas oito anos. Desde
então, Kleber Yotsumoto Fertrin mora na
cidade que abriga uma das principais facul-
dades de medicina do País: a Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp). E foi
lá que se formou médico, fez residência
em clínica médica e em hematologia e de-
fendeu sua tese de doutorado. Tudo nes-
sa mesma instituição. Declarado ‘filho da
Unicamp’ com orgulho, Fertrin recebeu de
todos os professores o incentivo para tra-
balhar com pesquisas. E parece ter valido
à pena. Aos 32 anos, o jovem médico foi o
único brasileiro a apresentar oralmente um
trabalho genuinamente nacional durante
o Congresso Anual da
American Society
of Hematology
(ASH), ocorrido entre os
dias 8 e 11 de dezembro no
Georgia World
Congress Center
, em Atlanta, nos Estados
Unidos. Logo após a sua apresentação, o
hematologista dedicou alguns minutos do
dia – que ele mesmo considerou ser mui-
to especial – para conceder uma entrevis-
ta exclusiva à equipe de reportagem da
Hemo em revista
. Confira a seguir:
Como surgiu seu interesse
pela hematologia?
Kleber Yotsumoto Fertrin:
Entrei em
contato com o Hemocentro de Campinas
muito cedo. Logo no primeiro ano de fa-
culdade tive a oportunidade de trabalhar
no laboratório do Dr. Fernando Costa, que
na ocasião era reitor da Unicamp. Foi lá
que comecei a desenvolver esse interesse.
Quando acabei a residência, resolvi voltar
a fazer pós-graduação e me dedicar total-
mente à área de pesquisa. Entrei na facul-
dade com a expectativa de trabalhar com
genética, assim como muitos médicos da
minha geração. Mas com a oportunidade
de trabalhar no Hemocentro, conheci me-
lhor a especialidade e passei a considerar
a possibilidade. Só levei a sério fazer he-
matologia depois da minha residência em
clínica médica, na qual tive mais contato
com pacientes com anemia falciforme.
Já o interesse por essa doença surgiu por
conta da iniciação científica que fiz no la-
boratório do Dr. Fernando. Ele tem uma
linha de pesquisa muito grande nessa área
e recebi forte influência. Na Unicamp re-
cebemos muito incentivo para a pesquisa.
É uma universidade de projeção nacional
e internacional nessa área. Então, é im-
possível conviver neste ambiente e ‘não
se contaminar’.
Conte-nos um pouco sobre o trabalho
apresentado por você no ASH 2012.
Fertrin:
A linha de pesquisa do
Dr. Fernando Costa sempre foi em fi-
siopatologia e novas terapêuticas para
anemia falciforme e para imunoglobino-
patias. Mas esse que apresentei é um sub-
produto dos meus estudos de doutorado.
Na última década surgiu um conceito de
que anemia falciforme não era só um pro-
blema da hemácia em si, mas que envol-
via os leucócitos, e outros tipos celulares.
Como temos vários alunos no laboratório,
uns foram pesquisar as plaquetas, outros
os leucócitos, e eu fiquei responsável por
pesquisar os monócitos. Durante meu
Genuinamente
brasileiro
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