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HEMO
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janeiro/fevereiro/março 2013
entrevista
ano passado, mas era um trabalho em co-
laboração com outros países. Então, con-
sidero esse ano diferente pelo reconheci-
mento que foi ainda maior por se tratar de
um trabalho puramente desenvolvido no
Brasil. É um motivo de grande felicidade.
E acho que é esse o papel que os pesqui-
sadores brasileiros têm de desempenhar
numa conferência como essa. Mostrando
que o Brasil é capaz de fazer pesquisa de
alto nível. Nós sofremos durante décadas
com preconceito em relação às pesquisas
que eram feitas no País. E é justamente
nesse tipo de evento que a gente tem de
afirmar que a pesquisa brasileira é de alto
nível e precisa ser ouvida.
Mas antes de ter trabalhos selecionados
para apresentação oral, você teve pesqui-
sas em formato de pôsteres no ASH?
Fertrin:
Sim, fui selecionado para apresen-
tação em pôsteres antes e é sempre uma ex-
periência importante. As pessoas acham que
o pôster não é tão importante, mas muitas
vezes as discussões do pôster são mais pro-
fundas que as orais, porque temos mais tem-
po para diálogo. Temos cerca de duas horas,
então você pode conversar calmamente
com aqueles que vão até o seu trabalho.
Considerando que ter apresentado pôster an-
tes, me ajudou muito a ter um pouco mais
de tranquilidade para apresentar oralmente.
Dá tempo para discutir muitos temas?
Fertrin:
A quantidade de pôsteres é muito
grande e há muita gente nesse local. É tan-
to assunto para discutir que acaba o tempo
e você não consegue ver tudo. Meu desejo
é que isso aconteça nos eventos nacionais
também, mas isso depende da qualidade
dos trabalhos e das pessoas que precisam
ter disposição para frequentar, se interessar,
perguntar, participar. Não é apresentar um
pôster só por apresentar. É estar lá disposto
a conversar com quem trabalha na mesma
área e vai até você. Acho a ideia de visitas
guiadas dos pôsteres do
Hemo
muito boa.
Afinal, de certa forma, ‘força’ o autor a es-
tar presente. No congresso da ASH é obri-
gatório o autor estar ao lado do seu pôster.
Deveríamos nos ‘contaminar’ um pouco
com isso. Antigamente, ter um pôster era
muito difícil, quase impossível. Entretanto,
estamos conquistando nosso espaço. Não
podemos banalizar esse momento. É muito
importante e traz uma visibilidade incrível.
Qual é sua avaliação do ASH 2012?
Fertrin:
Todo
ASH
traz muitas novida-
des. Mas esse ano, especificamente na
minha área, tivemos várias apresentações
com novos potenciais de agentes para
tratamento de anemia falciforme. Pelo
menos dois trabalhos que foram apresen-
tados têm alta eficácia em reverter crises
de falcização, ou mesmo de prevenir o
processo vasoclusivo de anemia falcifor-
me. E vários deles são estudos de fase 2 e
testaram em pacientes se aquilo é eficaz,
tolerável. Acredito que isso deve inaugu-
rar uma nova fase na área de imunoglo-
binopatias e que, inclusive, já existe em
doenças como leucemia mieloide crônica
e linfoma não-hodgkin, nas quais já exis-
te um número grande de moléculas sendo
testadas em
trials clinical
.
É cada vez maior o espaço que os
brasileiros têm no ASH? De que maneira
você vê esse movimento?
Fertrin:
Nossa geração é certamente fruto
da geração anterior que sofreu muito para
ter sua pesquisa científica levada a sério.
Acho que isso é um reflexo de que a nova
geração vai ser capaz de ter uma respei-
tabilidade de nível internacional. Antes
tínhamos a ilusão de que ninguém leria
os nossos trabalhos que são publicados
em revistas nacionais, especialmente por-
que eles estavam escritos em português,
mas a Revista Brasileira de Hematologia
e Hemoterapia (RBHH) agora está em in-
glês, é indexada. Então devemos ter muito
rigor ao publicar dados, pois vamos ser li-
dos e discutidos por especialistas de todo o
mundo. Acredito que somos uma geração
de visibilidade. O Brasil tem um potencial
enorme para gerar pesquisa clínica de alto
nível e ainda temos um grande número de
pacientes para usar em futuras pesquisas.
Embora seja preciso lembrar, devemos
cada vez mais nos profissionalizarmos, e
sermos criteriosos porque é isso que vai
manter nossa respeitabilidade.
Palestrante brasileiro interage e troca
experiências com especialista internacional
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Fertrin apresenta sua pesquisa sobre
anemia falciforme no
ASH 2012