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HEMO
outubro/novembro/dezembro 2012
quem foi
Foto: ©
Fred Hutchinson Cancer Research Center
/ Divulgação
T
odos os anos, desde o iní-
cio do século 20, o Prêmio
Nobel é entregue às pessoas
que tiveram atuações mar-
cantes na área de medicina,
literatura, física, química, economia e
paz mundial. Em 1990, o hematologista
americano Dr. E. Donnal Thomas, aos 70
anos, dividiu com Joseph E. Murray, que
realizou o primeiro transplante renal, o
prêmio na categoria de medicina por ser
o pioneiro no transplante de medula óssea,
que salvou milhares de vidas ao oferecer o
tratamento de doenças hematológicas an-
tes consideradas incuráveis.
Na sua autobiografia, que consta no
livro da série
Les Prémio Nobel/ Nobel
Palestras
, Thomas relembra sua trajetória
profissional e a infância no Texas (EUA)
ao lado do pai, o clínico geral Edward E.
Thomas e da mãe Hill Angie Donnall,
uma professora. Mesmo não se conside-
rando um estudante excepcional, entrou
na Universidade do Texas no ano de 1937
e cursou química. Durante a graduação,
trabalhou em empregos temporários e
conheceu sua esposa, Dorothy Martin,
enquanto servia mesas em um dormitório
de meninas.
Em 1943, Thomas ingressou na Escola
Médica de
Harvard
. E nesse período,
Dottie, como ficou conhecida sua mulher,
largou a carreira de jornalista para se tor-
nar técnica de laboratório e colaboradora de
Thomas ao longo da vida. Isso ocorreu logo
após o casamento que ocorreu em 1942. Na
residência médica, o especialista conheceu
o Dr. Murray que era um residente de cirur-
gia e se tornaram amigos devido ao interes-
se de ambos por transplantes.
Interesse pela área
de hematologia
Thomas começou a se interessar pela
leucemia e medula óssea ainda na gradua-
ção. Ao se formar, no ano de 1946, passou
dois anos no Exército e depois retornou
a Boston para completar a sua residência
e realizar pesquisas. Em 1955, foi no-
meado médico chefe do
Bassett Medical
Center
em Nova Iorque, uma afiliada da
Universidade de Columbia.
Nesse período, começou a fazer trans-
plantes de medula óssea em cães e em pes-
soas que estavam morrendo de leucemia.
Ele concluiu que a substituição da medula
doente de um paciente pela de um doa-
dor saudável, poderia curar a doença. Em
1957, sua equipe já havia realizado trans-
plantes de medula em seis doentes, após
a primeira destruição da medula dos pró-
prios pacientes com radiação. Infelizmente
não houve sobreviventes dessa pesquisa.
“Foram invernos longos, frios e tivemos
a oportunidade para ter discussões, o que
foi favorável para o nosso trabalho, pois a
maioria dos conceitos básicos foram esta-
belecidos durante esse tempo. Grande par-
te dos profissionais da área desistiu. Eles
achavam que transplantes de medula não
podiam ser realizados com sucesso”, disse
em entrevista após a premiação.
Durante as pesquisas com cães,
um deles sobreviveu à cirurgia e conti-
nuou estável. Quando mudou-se para a
Universidade de Washington, Thomas
desenvolveu um sistema para combinar
os tipos de tecidos e mostrou que a maio-
ria dos cães irradiados que receberam
medula de doadores encontrados sobre-
viveu a longo prazo. Em 1969, o médico