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outubro/novembro/dezembro 2012
quem foi
transplante de medula ao patamar mais alto
da medicina moderna e da pesquisa.” De
acordo com Bouzas, sua previsão se confir-
mou com a impressionante marca de 1 mi-
lhão de transplantes já realizados no mundo
até hoje e com a presença de centros e equi-
pes em todos os continentes. “Dr. Thomas
foi durante pelo menos três décadas, o gran-
de mentor do maior e mais importante cen-
tro de pesquisas em transplante de medula
óssea (TMO),
o Fred Hutchinson Cancer
Research Center - FHCRC
localizado em
Seattle (EUA)”, opina.
De acordo com Fred Appelbaum, dire-
tor da Divisão do Centro Huntchinson de
Pesquisa Clínica, Dr. Thomas
trabalhou
obstinadamente por anos contra a crença
generalizada, incluindo a comunidade mé-
dica, de que transplantes de medula óssea
nunca iriam funcionar. “Em 2012, cerca de
60 mil transplantes deste tipo foram realiza-
dos em todo o mundo. É possível imaginar
uma única pessoa ser responsável por tocar
tantas vidas?”, questinou Appelbaumno no
comunicado de falecimento de Thomas.
O Prêmio Nobel também é autor
dos seguintes livros:
Aplastic Anaemia
(1978);
Frontiers on Bone Marrow
Transplantation
(1991);
Application
of Basic Science to Hematopoiesis and
Treatment of Disease
(1994);
BoneMarrow
Transplantation
(1994, com Stephen J.
Forman e Karl G. Blume) e
Hematopoietic
Cell Transplantation
(1999, com Stephen
J. Forman and Karl G. Blume).
Antes do transplante de medula, quem
possuia leucemia ou outras doenças san-
guíneas, tinha um diagnóstico invariavel-
mente fatal. Segundo a nota divulgada
pela instituição americana na qual ele
trabalhou durante todos esses anos, o pro-
cedimento, juntamente com o transplante
de células-tronco sanguíneas, aumentou
as taxas de sobrevivência de certos tipos
de cânceres de zero para 90%. “O Dr.
Thomas gostava de caçar e pescar nas ho-
ras livres. Além de ser um excelente pro-
fissional, era uma pessoa acessível e sem-
pre esteve disponível para discutir casos e
projetos da área”, contou Bouzas.
dicina interna em Montana, Jeffrey que
trabalha com administração em Seattle e
Elaine, pesquisadora de doenças infeccio-
sas da Universidade de Washington.
Legado
Na década de 1980, Luis Bouzas, he-
matologista, ex-presidente e atual tesourei-
ro da Sociedade Brasileira de Transplante
de Medula Óssea (SBTMO) teve a opor-
tunidade de conhecer o Dr. Thomas. Em
1982, o Instituto Nacional de Câncer
(INCA) iniciou um projeto para a im-
plantação de um Centro de Transplante de
Medula Óssea (CEMO) no Rio de Janeiro.
Por essa razão, o CEMO teve contato
direto com o
Fred Hutchinson Cancer
Research Center.
“Dr. Thomas esteve no
Brasil algumas vezes e mantinha sempre
contato conosco, participando e dando
opiniões sobre tratamentos e contribuindo
para o desenvolvimento dos transplantes
no Brasil, ao receber inúmeros profissio-
nais para treinamento”, afirma Bouzas.
Em 1989, ele foi um dos primeiros hema-
tologistas brasileiros a fazer treinamento
com o pioneiro nos transplantes de medula
óssea nos EUA.
“No ano de 1990, durante uma home-
nagem pela sua aposentadoria, realizada em
Seattle, ele humildemente agradeceu a to-
dos os seus seguidores de todo o mundo que
estavam presentes, dizendo que nós éramos
pequenas sementes que se espalhariam pelo
mundo e que certamente iríamos elevar o
Sua equipe realizou o
primeiro transplante
combinado de um doador
não aparentado e o sucesso
levou à formação de um
cadastro, que atualmente
inclui milhões de doadores
de medula em todo o mundo