medicina nuclear em revista
| Jul • Ago • Set 2013
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o especial ista
nela em câncer de mama e melano-
ma por meio de radiotraçadores,
entre outros.
Como andam as pesquisas de radio-
fármacos no Brasil?
Durante algum tempo, em parte
devido ao acidente com o césio em
Goiânia, que, aliás, não teve
nenhuma relação com a medicina
nuclear, os investimentos na pro-
dução de radiofármacos no Brasil
ficaram parcialmente inibidos, o
que freou as pesquisas no setor.
Com a regulamentação e liberação
de exploração do setor pela indús-
tria e iniciativa privada, a necessi-
dade de conhecimento de produ-
ção ficou clara. As pesquisas na
área provam a importância de
como iniciativas locais podem tra-
zer benefícios, tanto no diagnósti-
co mais preciso como no tratamen-
to tão efetivo quanto outros méto-
dos, mas menos tóxico.
Como avalia a evolução da medici-
na nuclear brasileira?
Acredito que estamos muito bem
posicionados em âmbito mundial.
Temos recursos humanos bem
qualificados e estrutura de atendi-
mento privada com uma rede de
alto padrão técnico. Vejo, porém,
dois grandes gargalos: o paciente
usuário do SUS tem enorme difi-
culdade de acesso à medicina
nuclear e a produção industrial de
radiofármacos ainda é muito tími-
da quando comparada a outros
países com perfil econômico seme-
lhante ao Brasil.
A interação com outras especialida-
des pode ser favorável?
Sem dúvida. Um serviço de onco-
logia que pretenda fazer um aten-
dimento de bom padrão necessita
ter uma interface intensa com a
medicina nuclear. Atuar hoje em
oncologia sem um forte apoio da
medicina nuclear é temerário.
Cada dia mais presenciamos entre
os oncologistas um aumento de
interesse pela medicina nuclear e
imagem molecular.
Quais dificuldades os especialistas
da área de oncologia enfrentam no
Brasil para usar as modernas tec-
Um serviço de oncologia
que pretenda fazer um atendimento de
bom padrão necessita ter uma interface
intensa com a medicina nuclear
nologias oferecidas pela medicina
nuclear e imagem molecular?
Além do processo lento da absor-
ção de novos conceitos tecnológi-
cos pelas instâncias regulatórias
nacionais, o custo ainda é o grande
fator limitante para seu uso.
Talvez a desoneração de impostos
e taxas, com diminuição do custo
agregado, fosse uma estratégia
interessante e que traria a possibi-
lidade de maior acesso da popula-
ção, desde que tal diminuição de
custo gerasse preço menor do exa-
me para o consumidor final.