Revista Plastiko´s #226
27 OUT-DEZ 2020 PLASTIKO‘S REFERÊNCIA EM MAMA implantes e preserva a vascularização ao realizar uma mastopexia ao mesmo tempo. Então, se eu puder ficar com ela, especialmente com a troca do implante, eu fico. Assim, nunca faço cap- sulectomia de rotina, tem que haver indicação. Para mim, os mais importantes são contratura capsular significativa, cápsula cal- cificada ou massa presente na cápsula. Além disso, o BIA-ALCL seria uma in- dicação absoluta para uma capsulectomia em bloco. As decisões mais desafiadoras são para BII ou pacientes com implantes texturizados que desejam capsulecto- mias para redução de risco para futuro BIA-ALCL. No BII, ou eu faço apenas o ex- plante com uma avaliação e remoção da cápsula (se houver qualquer patologia observada), ou eu realizo uma capsulectomia precisa conforme descrito. Qual sua opinião sobre implantes texturizados colocados em um plano submuscular? Alguma orientação baseada na nova realidade dos explantes? Para implantes texturiza- dos, sou mais agressivo com a textura Biocell, pois tem uma associação muito maior com câncer; eu rea- lizo uma capsulectomia total quando subglandular, e uma capsulectomia total ou quase total quando sub- muscular. Todas as cápsu- las são enviadas à patologia para avaliação. Nunca é apropriado fazer uma res- secção em bloco em casos de implantes texturizados para reduzir o risco de BIA-ALCL, pois esse proce- dimento é muito arriscado e sem benefício comprovado. Com certeza, mesmo uma capsulectomia total em casos de implantes texturizados não erradica o risco de um futuro BIA-ALCL. No entan- to, provavelmente reduz sig- nificativamente o risco. Por- tanto, os cirurgiões devem fazer o possível para remover a cápsula, mas minimizar os riscos, pois as chances de um BIA-ALCL se desenvolver no futuro são extremamente pequenas e a abordagem de risco mais agressiva não tem evidência de qualquer benefício. Este não é ummo- mento para operar com base em evidências anedóticas ou palpites. É importante seguir as orientações da medicina baseada em evidências mes- mo quando as informações disponíveis são limitadas. Muitos dos meus pacientes sentem-se confortáveis em explantar ou mudar para um implante liso e simplesmente avaliar a cápsula no mo- mento da cirurgia e apenas removê-la se alguma anor- malidade for identificada. Acredito que essa pode ser uma abordagem excelente para muitos pacientes. O que pode ser feito na perspectiva de uma socie- dade de cirurgia plástica? Meu papel é o de maior de- fensor da minha paciente e a necessidade de fornecer a ela as informações mais precisas para ajudá-la a tomar a decisão final. Uma abordagem honesta e sincera, na qual o paciente entende que a única motivação de seu cirurgião é fornecer a ela as informações mais precisas e o melhor atendimento. É, de longe, o aspecto mais impor- tante. Não quero criar medo desnecessário ou fazer pro- messas irrealistas, pois não serviriam ao meu paciente. Também faço algo muito im- portante: digo aos pacientes que ainda não entendemos a BII e, portanto, não tenho ideia se seus sintomas vão melhorar. Talvez o mais importante a explicar é que o explante pode criar uma deformidade significativa, incorre em riscos elevados e tem um impacto financeiro considerável. Isso deve ser explicado com precisão e honestidade a cada paciente para ajudá-la a compreender o custo real com o benefício desconhecido. E, então, cada paciente pode tomar uma decisão verdadeiramente informada sobre a adequação de se submeter à cirurgia para BII.
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