Revista Plastiko´s #226
29 PLASTIKO‘S FALTA DE DADOS CIENTÍFICOS NÃO PERMITE CONCLUIR A RELAÇÃO DIRETA ENTRE O BREAST IMPLANT ILLNESS (BII) E OS IMPLANTES MAMÁRIOS. PESQUISADORES, CIRURGIÕES PLÁSTICOS E ORGANIZAÇÕES MÉDICAS PELO MUNDO JÁ ESTÃO MOBILIZADOS PARA ESTUDAR ESSA QUESTÃO Por MADSON DE MORAES Colaboração DANIELE AMORIM N os últimos anos, diversos grupos e orga- nizações de pa- cientes nas redes sociais têm se mobilizado para dar voz ao relato de inúmeras mulhe- res que têm autorreportado uma série de sintomas que surgem após a reconstrução ou aumento mamário com implantes de silicone. Es- ses sintomas incluem, por exemplo, fadiga, dores nas articulações e nos músculos, perda de cabelo ou mesmo alterações de peso, sintomas que estas mulheres referem surgir como resultado do uso de implantes mamários. O termo utilizado entre o público leigo para se referir a esse conjunto de sintomas, sistêmicos e inespecíficos, é “ Breast Implant Illness ”, livremente traduzido como doença do silicone. Embora algumas mulheres relatem nas redes sociais e estudos reportemmelhora ou reso- lução destes sintomas após o explante, a causa destes sintomas e o grau em que podem estar relacionados aos implantes ainda não estão claros para a ciência. “Esse grupo de mulheres começou a levantar questio- namentos para os quais ainda não temos respostas. O que temos é umgrupo de pacientes que afirma ter sintomas ines- pecíficos e que, paramelho- rá-los ou evitá-los no futuro, buscamo explante mamário”, afirma a Regente do Capítulo de Biomateriais e Próteses da SBCP da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Anne Groth. Poucos dis- positivos médicos foram tão estudados ao longo das últi- mas décadas como o implante de silicone e, até o presente momento, há evidência cien- tífica que ampara a utilização deles com segurança. “Ao mesmo tempo, os sintomas relatados pelas pacientes pre- cisam ser considerados com amaior seriedade e respeito e estudos neste tema sãomuito importantes e já estão a cami- nho”, observa amédica. Atualmente, a FDA afirma que o BII não é reco- nhecido como diagnóstico médico formal e não há testes específicos ou critérios reco- nhecidos para sua definição. Entidades que representam a cirurgia plástica no mundo, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS), adotam a mesma postura e enfatizam que, até o mo- mento, não há evidências científicas definitivas que sustentem a ligação entre implantes mamários e a cha- mada doença do silicone. Em um documento divulgado em agosto de 2020, a Sociedade Americana de Cirurgia Plás- tica (ASPS) chamou a aten- ção para o fato de que a co- municação nas redes sociais pode ser a responsável pelo rápido aumento nos relatos das pacientes e que há muitos fatores que podem afetar a interação entre uma paciente e seus implantes mamários. “As pacientes se autodiag- nosticam com doença do sili- cone e não levam em conside- ração que os sintomas podem ser multifatoriais ou ainda relacionados a outras doen- ças como as reumáticas ou autoimunes”, observa o Dr. Ricardo Miranda. A Síndro- me ASIA, explica ele, é uma abreviação do inglês de “sín- drome autoimune induzida por adjuvantes”, podendo o silicone das próteses mamá-
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NTMyMjc=