Revista Plastiko´s #226

PLASTIKO‘S 30 Reportagem. rias atuar como adjuvante. E, embora alguns sintomas da Síndrome ASIA sejam relatados no BII, é preciso notar que a Síndrome ASIA é uma doença reconhecida e apresenta critérios maiores e menores para seu diagnósti- co. “A BII não é uma doença reconhecida pela classe mé- dica e não apresenta critérios definidos para diagnóstico. É preciso acolher as pacientes que procuram o explante, mas sempre à luz da ciên- cia. A relação da prótese de mama e ASIA ou doenças reumáticas ainda é incon- clusivo”, diz. Algumas perguntas im- portantes, observa o cirurgião plástico, seguem ainda sem resposta da ciência. A prótese de mama íntegra pode ser um adjuvante na Síndrome ASIA? Seria a BII uma doen- ça de fato e qual sua etiologia? Como saber que o silicone das próteses de mama é o adju- vante e não outras substâncias que a paciente foi exposta? Outra questão importante é se toda paciente que solicita a retirada da prótese mamária deve ser submetida a um ex- plante em bloco. “Precisamos entender melhor a relação da prótese de mama e sintomas sistêmicos, estudar a etiologia, encontrar ummétodo diag- nóstico, alémde critérios clí- nicos, e estabelecer em quais pacientes o explante em bloco pode ser benéfico”, esclarece o Dr. Ricardo. UMA REALIDADE NOS CONSULTÓRIOS No Brasil ainda não existe um número oficial sobre o total de explantes, mas esse aumento já é uma realidade na rotina dos consultórios. O Dr. Gustavo Stocchero, de São Paulo, conta que houve um aumento de mais de 300% na procura pelo explante no seu consultório em 2020. Mas, pondera, o número só é alto quando comparado com a procura em relação a 2019. “Em 2019, eu devo ter feito uns dois explantes e, ano passado, fo- ram cerca de 12. Tem muita paciente procurando e, sem dúvida, a mudança é expres- siva”, observa. Outro cirurgião plástico que viu essa procura aumen- tar foi o Dr. Wendell Uguetto, também de São Paulo. Ele relata que nunca fez tantos explantes mamários como em 2020. “Tivemos uma moda de mamas grandes há 10 anos. Mas agora é o con- trário. Essa mudança fez com que muitas pacientes procu- rassem pelo procedimento”, avalia. O Dr. Ricardo Votto, de Santa Catarina, notou esse crescimento há mais ou menos um ano e afirma que está cada vez mais frequente. “A maioria das pacientes que recebo colocaram implantes de silicone há 10 ou 15 anos e contam que, hoje, em outro momento da vida, as próteses não fazemmais sentido no cotidiano delas.” Em seu consultório, no Recife, o Dr. Thiago Morais notou esse “aparecimento” de mulheres atrás do explante no último ano. “O explante é uma situação real no Brasil e no mundo e irá aumentar. O cirurgião plástico tem que olhar para esse cenário com um olhar humano e a men- sagem é não negligenciar as queixas das pacientes, mas amparar e acompanhar”, pontua. Na rotina do Dr. Gui- Este não é um momento para operar com base em evidências anedóticas ou palpites. É importante seguir as orientações da medicina baseada em evidências mesmo quando as informações disponíveis são limitadas Dr. Bradley Calobrace, norte-americano que é referência mundial cirurgia de mama

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