Revista Plastiko´s #226

PLASTIKO‘S 52 Atualidades científicas MANEJO CIRÚRGICO DA PACIENTE DE EXPLANTE: UMA ATUALIZAÇÃO NAS OPÇÕES DE CONTORNO MAMÁRIO E RESTAURAÇÃO DE VOLUME* Por Dr. Rafael Tutihashi Editor da revista Plastiko’s e membro titular da SBCP. Médico assistente da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) O clima atual na cirurgia plástica criou uma preocupação nos pacientes relacionada à segurança dos implantes mamá- rios, tanto lisos quanto os texturizados. Em março de 2019, o FDA (órgão regulatório em saúde dos Estados Unidos) constituiu um comitê para discutir temas relacionados ao Linfoma de Células Gigantes Relacionado à Implantes Mamá- rios (BIA-ALCL) e sintomas sistêmicos em pacientes com implantes mamários. Em julho do mesmo ano, a empresa Allergan retirou os implantes texturizados do mercado. Esta série de eventos fez com que os pacientes procurassem os cirur- giões plásticos para consultar sobre o explante. Apesar da preocupação primária do paciente ser a retirada do implante, a defor- midade residual não pode ser exagerada. As opções de reti- rada e refinamento (seja ele feito na mesma cirurgia, seja em um segundo tempo) devem ser discutidas com a paciente no momento da consulta. O objetivo deste artigo é discutir as técnicas disponíveis para restaurar o contorno e volume mamários após o explante. ENTENDENDO A ANATOMIA A inclusão do implante mamário comprime os tecidos adjacentes com alteração da anatomia local: pele, parênquima, musculatura e arcabouço osteocartilaginoso. A deformidade pós-explante pode ser similar àquela encontrada pós-mastectomia, dependendo das características dos tecidos pré-inclusão de implante e tempo de uso do implante. O tecido muscular tem baixa tolerância à compressão e é suscetível à lesão quando subme- tido a compressão constante. Implantes mamários submus- culares estão relacionados à redução significativa do volume muscular após 6 e 12 meses. Esta alteração pode ser observada em implantes emplano submuscular total e plano misto (dual plane). De maneira semelhante, alguns estudos relacionaram atrofia do parênquima mamário com implante emplano subglandular. No entanto, o parênquima é mais tolerante à atrofia e o volume geralmente é restaurado após o explante. O processo natural de expansão tecidual pós-inclusão de implantes mamários é mais notado na pele, a qual apresenta

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