ABHH em Revista #01/2020
01 / 2020 A B H H e m R e v i s t a 15 eram mais de 11 mil estudos. No dia seguin- te, fez a mesma checagem e se deparou com mais 300 novos artigos sobre o assunto. Em uma rápida pesquisa durante a produção desta reportagem, o número de estudos já passava dos 27 mil. "Estamos vendo muitas publicações, hipóteses e um pouco de estudos avaliando terapias retrospectivamente. As análises importantes ainda vão sair. E, na hematolo- gia, por exemplo, temos pouquíssima coisa de impacto,. O que temos são as publica- ções vendo a profilaxia com heparina, que realmente parece que é a única terapia medicamentosa que faz alguma diferença", argumenta Sampaio. Preocupação acadêmica A preocupação acadêmica de construir diretrizes sobre a relação de diversas áreas da hematologia, hemoterapia e terapia celular fez com que a ABHH unisse esforços para auxiliar seus associados. Desde o início da pandemia, os comitês associativos se juntaram para deliberar diretrizes em meio à pandemia. Até o momento há 43 docu- mentos que vão da hematologia geral até a odontologia e que podem ajudar a guiar os profissionais. Todos estão disponíveis no site da Associação. "Conseguimos elaborar pautas que são fundamentais nesse período. Afinal, os hematologistas estão ocupando papéis chaves", observa Maiolino. Além dos documentos feitos pelos comitês, os associados também podem ter acesso às conferências online que deba- tem sobre diferentes temas relacionados à covid-19. Nesse aspecto científico, os diretores da ABHH têm alguma esperança ao falar sobre a vocação do hematologista em ser, por natureza, um pesquisador. “As reuniões científicas têm sido mais frequen- tes. Há males que vêm para o bem. Temos que aproveitar essas lições e como a ABHH cresceu com tudo isso. Apesar da distância física, estamos mais próximos. Temos apro- veitado como podemos”, assinala Maiolino. ção dos pacientes com doenças hematológicas. "Nós tentamos criar um hospital que fosse covid free , mas não foi o que aconteceu. Então, se separou unidades com pacientes com o vírus e sem”. Já no caso das práticas ambu- latoriais, houve a adaptação de alguns protocolos, mas, com o temor dos pacientes, alguns tratamentos foram postergados "[Mas] o que se acelerou foi a questão da telemedicina. For- çou um pouco a adaptação das consultas remotas e o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro está liberando as receitas para ser uma prescrição remota", afirmou Maiolino. A situação foi semelhante na Universidade Federal de Goiás, recorda o Dr. Renato Tavares. “Tivemos uma reunião e co- meçamos a ligar para todos os pacientes. Aqueles que pudessem pegar a receita iam só fazer isso”, relembrou. No caso de quimio- terapias, as sessões têm sido espaçadas. "Atendia toda semana e não tinha vaga. E hoje a gente abre para caso novo. Os pacien- tes não querem ir ao consultório". Desafio para a literatura médica Além da dificuldade de se ade- quar em um momento totalmen- te novo na medicina, também há o fato que a literatura médica ainda sabe muito pouco sobre o novo coronavírus. Após o começo da pandemia, Dr. Renato relem- bra que foi convidado para pales- trar em uma conferência online sobre o tema e, antes de preparar seu material, checou quantas pu- blicações sobre a doença haviam disponíveis no PubMed. Ao total, Dr. Renato Sampaio Tavares Ambos os diretores da ABHH foramentrevistados pela plataforma online Zoom. O vídeo comos melhores momentos do bate-papo comMaiolino eTavares está disponível no botão abaixo! Tivemos uma reunião e começamos a ligar para todos os pacientes. Aqueles que pudessem pegar a receita iam só fazer isso
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