ABHH em Revista #01/2020

01 / 2020 A B H H e m R e v i s t a 19 EM DEZEMBRO DE 2019, fomos apresentados a uma nova doença: a covid -19, causada pelo SARS-CoV-2. Inicialmente notificada a partir de um surto de infec- ção respiratória grave em uma província chinesa, em três meses a covid-19 foi capaz de produzir uma pan- demia e hoje contabiliza mais de seis milhões de casos e 370 mil óbitos em todo o mundo. A covid-19 está disseminada por diversos países de todos os continentes, com altas taxas de transmis- são pessoa a pessoa. Essa alta disseminação ocorre não apenas por características do próprio vírus, mas principalmente pela susceptibilidade de toda a popu- lação, já que se trata de um novo vírus ao qual não há indivíduos imunes entre não expostos ao vírus nativo. Para conter a disseminação, a indução de imuni- dade por meio de uma vacina passa a ser uma estraté- gia urgente. Diversos grupos ao redor do mundo trabalham intensamente para identificar uma vacina que seja imunogênica, segura, de fácil produ- ção e distribuição. Existem atualmente 158 vacinas em desenvolvimento, divididas em 8 tipos distintos. Desde vacinas virais produzidas a partir do SARS-CoV-2 (inativado ou atenuado) até vacinas com tecnologia inédita, como as utilizando ácido nu- cleico (DNA ou RNA), além de vacinas com vetores (virais ou bacterianos) e baseadas em proteínas virais (subunidades proteicas ou partículas “vírus-like”). Em ensaios clínicos fase I ou fase II, 10 vacinas estão sendo produzidas por indústrias farmacêuticas, universidades e/ou consórcios com grande investi- mento público e privado. Esta cooperação tenta otimi- zar o tempo entre a identificação da candidata ideal e a disponibilidade de vacinar toda a população em escala mundial. Por isso, vacinas com menor risco de eventos ad- versos graves e com maior facilidade de produção tor- nam-se mais favoráveis. Dessa maneira, atualmente o investimento em vacinas baseadas em DNA e RNA, que usam plataformas únicas que podem ser utilizadas para produção de vacinas para outras doenças infec- ciosas, passa a ser intenso. Empresas como a Moder- na, Inovio e Pfizer estão apostando nesta tecnologia. Resultados preliminares da vacina utilizando o adenovírus como vetor viral, produzida pelo consór- cio Chinês com a empresa CanSino Biologics, foram promissores. A vacina se mostrou tolerável e imuno- gênica e os testes já estão em fase II. A mesma tecno- logia está sendo pesquisada pelo consórcio da Oxford University com a AstraZeneca e recrutando voluntá- rios, inclusive, no Brasil. Em indivíduos com doenças onco-hematologia, a espera por uma vacina para covid-19 provavelmente será mais longa, já que a segurança em vacinar imu- nossuprimidos dependerá do tipo de vacina que irá ganhar esta corrida. Embora tenhamos muitas candidatas e vários es- tudos em andamento, a identificação de uma vacina eficaz e segura será uma realidade apenas em alguns meses e, provavelmente, o fim da primeira onda da pandemia já terá acontecido. No entanto, a coopera- ção científica mundial e o investimento em tecnolo- gia ocorridas pela covid-19 trarão grande contribui- ção para conter as próximas ondas da doença e para nos preparar para resposta mais rápidas nas próxi- mas epidemias. A corrida pela vacina contra a covid-19 a r t i g o Em indivíduos com doenças onco-hematologia, a espera por uma vacina para covid-19 prova- velmente será mais longa, já que a segurança em vacinar imunossuprimidos dependerá do tipo de vacina que irá ganhar esta corrida Por Dra. Marcia Garnica Professora adjunta de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e infectologista da Unidade de Transplante do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN)

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