ABHH em Revista #01/2020
9 Como a pandemia mudou sua rotina como secretário de Saúde de Campinas? Nossa vida virou de cabeça para baixo. A chega- da da pandemia mudou completamente nosso dia a dia. Desde o planejamento, de quando soubemos sobre a questão da epidemia, já lá na China, e depois todo o desenvolvimento da epidemia, a chegada no Brasil, o primeiro caso, a primeira morte, o reconhecimento da primeira transmissão comunitária na cidade. E a gente se ocupa praticamente todos os dias com essa questão da pandemia. Como tem sido sua troca de experiência com outros hematologistas que estão em cargos de liderança no combate à covid-19? Eu e o Dr. Dimas já passamos por uma situa- ção muito parecida nas décadas de 1980 e 1990, quando nós trabalhamos na construção da Hemorrede do Estado de São Paulo, que atualmente é dirigida pelo Dr. Dante Langhi Jr. e constituiu um programa extremamente importante que brecou a transmissão do HIV. Então, enfrentar epidemia juntos, curiosa- mente, mesmo sendo hematologistas, não é novidade. Mas essa epidemia é muito dife- rente e ela tem inúmeros ingredientes de indefinição. Confesso que sofro muito, cada tomada de decisão é muito difícil, inusitada. As experiências mundiais são muito variadas, depende do país, da sociedade, de uma série de fatores que nem sempre são semelhantes aos nossos. A presença de hematologistas em cargos de liderança no enfrentamento do novo coronavírus é uma valorização da especialidade? Os hematologistas, eu sou hoje da velha gera- ção, sempre tiveram essa característica de não fugir quando o País mais precisa deles. Isso aconteceu com relação à doação gratuita de Getty Images
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