ABHH em Revista 12 / 2024 20 em perspectiva invisíveis para a medicina em geral. Então, os cuidados paliativos ocuparam esse lugar do cuidado das pessoas sem perspectivas. Mas, nas últimas décadas, os cuidados paliativos modernos mudaram, e o nosso enfoque hoje não é mais o cuidado de fim de vida, mas a complexidade do sofrimento humano. O entendimento de que o sofrimento causado pela trajetória do adoecimento é complexo a ponto de uma única especialidade ou nicho de conhecimento não conseguir abraçar todas as dimensões do sofrimento é muito recente e os cuidados paliativos estão caminhando para isso”, pontua a Dra. Laura Ferraz. Nesse processo de adoecimento, complementou a Dra. Amanda, não adoece apenas o paciente, mas todo o meio em que ele convive. “Para dar suporte para esse cuidador, para essa família, para a rede de apoio do paciente que também entra com outras demandas, é necessário um time, uma equipe. A gente começa a perceber que, mais do que encaminhar, é integrar para que se trabalhe em Em maio deste ano, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que os cuidados paliativos sejam prestados de forma integral e humanizada em todos os níveis de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que o cuidado deve estar centrado na pessoa e em suas necessidades, levando em consideração seus valores, crenças e desejos. A PNCP também prevê a capacitação de profissionais em cuidados paliativos, a promoção da pesquisa nessa área e a ampliação do acesso a medicamentos e insumos necessários para o cuidado. conjunto com foco em uma melhoria de qualidade de vida não só do paciente, mas de todo o entorno, incluindo não apenas o próprio hematologista, mas os profissionais envolvidos”, destacou. Os cuidados paliativos são indicados em quaisquer situações em que há uma carga de sintomas importante e/ ou uma doença potencialmente ameaçadora da vida, seja qual for a probabilidade de cura. E a literatura científica sobre essa abordagem já demonstra seu impacto positivo na assistência aos pacientes submetidos ao transplante de medula óssea alogênico, assim como favorece os pacientes portadores de doenças hematológicas benignas devido à elevada carga de sofrimento biopsicossocial. Ouça a íntegra do bate-papo sobre cuidados paliativos no HEMOPlay Podcast Segundo o Ministério da Saúde, existem cerca de 625 mil pessoas que precisam de cuidados paliativos. “Atualmente, no Brasil, a maior parte da oferta de serviços de cuidados paliativos está concentrada no estado de São Paulo e, por isso, é desigual. A implementação de uma política pública federal permitirá mapear e ter uma visão mais precisa dos recursos disponíveis no SUS, oferecendo serviços e treinamento especializado em regiões carentes, além de fortalecer os serviços existentes e desenvolver programas de educação continuada”, destacou a Dra. Amanda Pifano, coordenadora do Comitê de Cuidados Paliativos da ABHH. Brasil tem agora uma Política Nacional de Cuidados Paliativos
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