Divulgação 12 / 2024 ABHH em Revista 29 A médica hematologista, professora, escritora e pintora Dayse Lourenço transformou sua carreira em um grande palco de aprendizado e descobertas Por Madson de Moraes O dia 30 de julho desse ano representou um marco na carreira da médica hematologista e professora Dayse Lourenço, de 68 anos de idade. Longe da rotina do consultório, das palestras em congressos e eventos científicos sobre hemostasia e trombose e das orientações a alunos de graduação e pós-graduação na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aquele foi o dia em que Dayse lançou seu primeiro romance, Mulheres de Soneto (Ed. Folhas de Relva, 184 páginas), em São Paulo. O livro conta a história do menino Carlos, que encontra um poema escrito pelo pai dedicado a uma mulher e, a partir daí, resolve descobrir quem é essa pessoa. A noite de autógrafos na capital paulista foi rodeada de amigos e amigas queridas. A paixão pela literatura e pintura e o desejo de ser médica plantaram suas primeiras sementes ainda durante a infância. Dayse nasceu em 1956, na cidade de Barbacena, no interior de Minas Gerais. Mas, aos cinco anos, toda a família precisou se mudar para São Paulo porque o pai passou em um concurso do Banco do Brasil. O amor pelas palavras nasceu quando ela ganhou de presente a coleção de livros infantis de Monteiro Lobato. Já o desejo de ser médica teve uma boa influência da avó, Dona Magdalena, parteira conhecida em todo o bairro em Barbacena. Por pouco, conta Dayse, ela mesma não nasceu pelas mãos da avó. “Fui sua primeira neta e, após horas de suplício da minha mãe, minha avó foi obrigada a ceder a honra de me trazer ao mundo ao Dr. Agostinho, médico local. Já meu irmão teve o privilégio de vir por suas mãos. Os dois últimos irmãos tiveram que nascer em São Paulo, na maternidade, fora de seu alcance. Era uma mulher alta, firme e até geniosa, que sabia quando ‘era a hora’. É muito importante saber quando ‘é a hora’, e ela tinha total domínio sobre este conhecimento. Eu a via sair à noite, no meio da noite, com desconhecidos que vinham buscá-la com a voz angustiada: será que chegou a hora, dona Magdalena? E lá ia ela com seu poder de decidir a hora”, recorda-se. Outra paixão dessa hematologista multiartista é a pintura, atividade a que se dedica com menos frequência do que aos poemas que costuma escrever. “Desenho desde a infância. Pintei óleo sobre tela e depois aquarela e pastel seco. Era fascinada por quem sabia dominar o traço criando formas com beleza e precisão. Desenhava e pintava sempre. Eu desenhava tudo o que conseguia e adorava os personagens do Walt Disney. Mas hoje sou uma pintora bissexta”, brinca. A decisão de ser médica Já no colegial, Dayse conta que precisou fazer sua primeira decisão para um rumo: fazer um curso de inglês ou estudar na Escola Pan-americana de Arte. Escolheu a primeira opção por entender que seria mais útil, mas sem nunca abandonar o desenho e a pintura. “Descobri o significado de passar por uma encruzilhada: escolher um caminho e segui-lo em detrimento de todos os outros. Com Manuela e Caio, seus filhos Com o Prof. Meyer Samama durante um congresso da ISTH
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