perfil ABHH em Revista 12 / 2024 30 Esta espécie de pesar acaba se transformando em energia que usamos para trilhar o caminho escolhido”, conta. E o caminho escolhido por ela foi estudar medicina, muito mais pelo conhecimento do que pela prática. “O maior fascínio residia em entender como funcionavam as células organizadas em sistemas que, na maioria das vezes, funcionavam bem. E nós permanecemos saudáveis. O milagre estava mais em vivermos todos bem, todos os dias, de que propriamente na cura dos enfermos”, explica Dayse. Sua escolha pela medicina virou realidade quando, ao final do colegial, ela passou no vestibular da Escola Paulista de Medicina (EMP). “A partir de então, mais um mundo novo se abriu diante dela. Tive a certeza de estar na escola certa. Nos anos básicos. as disciplinas eram ministradas por verdadeiros cientistas, daqueles que descobriam coisas e as publicavam. E eles respiravam do mesmo ar que todos nós. Estava cada vez mais fascinada pelo que acabava por conhecer a cada dia. Queria ser investigadora”, conta Dayse. A Unifesp seria sua segunda casa por décadas. Além da graduação, ela faria a residência médica, mestrado e doutorado em hematologia dentro da instituição. Da Clínica Médica à Hematologia No terceiro ano, nas aulas de propedêutica, Dayse teve o primeiro contato com um paciente, o que a atraiu para a investigação de cada história clínica, juntando sinais e sintomas como um detetive que amealha pistas. “Estes primeiros pacientes me ajudaram a fazer a correção de percurso que acabou me levando a uma das atividades mais prazerosas que tenho tido: o contato com o paciente. Meus professores de propedêutica e clínica médica tiveram papel decisivo em minha formação naquele momento e por muito tempo ainda”, afirma. Foi durante o quinto ano na graduação que Dayse teve sua primeira interação com a hematologia. Junto com um grupo de acadêmicos, ela foi trabalhar na Colsan fazendo triagem de doadores de sangue. No sexto ano, ela havia decidido que prestaria o exame de residência em clínica médica e possivelmente optaria pela nefrologia no 2º ano. “Fui aprovada no exame de residência médica da Escola Paulista de Medicina e, para mim, isto representou o início da carreira acadêmica. Acreditava que iria seguir a Nefrologia e estava tão convicta que pude realiza uma biópsia renal durante meu estágio como R1”, observa Dayse. A escolha em definitivo pela hematologia aconteceria durante um atendimento a um paciente com hepatoesplenomegalia. Pediram que ela solicitasse uma interconsulta na hematologia para tentar fazer o diagnóstico de doença de depósito por meio da análise do mielograma. “O exame mostrou intensa infiltração por células de Fotos: Acervo pessoal Uma das inúmeras aquarelas pintadas por Dayse
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