ABHH em Revista #12/2024

12 / 2024 ABHH em Revista 31 Gaucher e um fato chamou a minha atenção: a possibilidade de se fazer um diagnóstico morfológico sendo médica clínica. Não era mais um exame subsidiário, mas um prolongamento ou, para ser mais exata, um aprofundamento do próprio exame físico. Julgo que esta deve ter sido a primeira coisa que me atraiu na hematologia. Naquele momento de decisão, no final do primeiro ano de residência, este fato foi determinante para a escolha da hematologia como especialidade”, lembra Dayse. Na residência, ela teve contato com hematologistas como Marcelo Pio da Silva, José Kerbauy, José Orlando Bordin, José Salvador Rodrigues de Oliveira e José Pedro Zampieri. Se a morfologia foi seu primeiro encanto com a hematologia, no terceiro ano da residência ela se sentiu atraída pela hemostasia. A pós-graduação nessa área rendeu a ela seu mestrado e doutorado na Unifesp. “Em minha tese de mestrado pudemos demonstrar que o sistema calicreína-cininas estava ativado na anemia falciforme. Faltava verificar qual a repercussão deste processo sobre a coagulação e a fibrinólise, e este foi o tema do doutorado”, afirma. O pós-doutoramento aconteceu no Serviço de Hemostasia e Trombose do Prof. Meyer Samama (falecido em 2014, seu trabalho incluiu muitas contribuições ao uso clínico de laboratório em hemostasia e trombose e em tromboprofilaxia), no hospital Hôtel-Dieu (considerado o mais antigo hospital da cidade de Paris), de 1987 a 1989, com bolsa do CNPq. “O serviço do professor Samama era, e ainda é, um grande serviço especializado no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com trombose, para onde são encaminhados pacientes de toda a França. Foi durante este período que compareci pela primeira vez ao congresso da Sociedade Internacional de Hemostasia e Trombose, apresentando dois trabalhos”, lembra orgulhosa. De volta ao Brasil em 1989, Dayse retomou suas atividades na Disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Escola Paulista de Medicina, com a incumbência e o desejo de organizar o setor de Hemostasia e Trombose, desde os ambulatórios até o laboratório para diagnóstico e acompanhamento destes casos. Por ter se envolvido intensamente com a coagulação do sangue, coisa que a maioria das pessoas considerava complicada, Dayse acabou dando muitas aulas sobre os temas de hemostasia em diferentes contextos. “É muito interessante como a área de hemostasia e trombose permite intercâmbio entre diversas especialidades, e talvez este tenha sido uma das razões de minha escolha.” Com o Prof. Francisco Maffei, da UNESP de Botucatu, referência para todos que atuam em hemostasia Com colegas docentes da Hematologia sob a chefia do saudoso Prof. José Kerbauy Com colegas docentes da Hematologia sob a chefia do saudoso Prof. José Kerbauy

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