ABHH em Revista #15/2025

ABHH em Revista 15 / 2025 22 artigo Advocacy em saúde e o essencial papel da comunicação no processo Em saúde, cada palavra importa. Uma informação clara pode significar mais do que conhecimento: pode abrir caminhos para diagnósticos, tratamentos e, sobretudo, para que a voz das pessoas seja ouvida. Nesse contexto, a atuação comunicacional das sociedades de especialidades médicas deixa de ser mero suporte técnico e se torna instrumento de cidadania, capaz de conectar pacientes, profissionais, gestores e formuladores de políticas públicas em torno de decisões que afetam milhões de vidas. Quando bem estruturada, essa área funciona como ponte: aproxima a sociedade civil de quem decide, amplia o diálogo e garante processos mais transparentes e baseados em evidências. No cenário da incorporação de novas tecnologias nos sistemas público e privado, essa mediação é ainda mais necessária para que pacientes, especialistas e entidades representativas tenham seus pleitos considerados por tomadores de decisões. A abundância de dados disponíveis hoje não significa, necessariamente, acesso qualificado à informação. Por isso, cabe às sociedades médicas também um papel educativo. Traduzir conteúdos técnicos em mensagens claras e acessíveis não é apenas estilo: é chave para empoderar cidadãos e tornar o debate sobre saúde mais inclusivo. No advocacy, informar não é só difundir dados, mas construir narrativas capazes de sensibilizar tomadores de decisão e mobilizar aliados estratégicos. A credibilidade de uma causa nasce da robustez da evidência, mas se fortalece na forma como ela é transmitida. Na saúde, essa dinâmica é ainda mais urgente. A incorporação de novas terapias, exames e medicamentos envolve critérios técnicos complexos, mas com impacto direto na vida das pessoas. Explicar cada etapa com transparência, da submissão de uma tecnologia à decisão final, cria confiança e estimula o diálogo entre especialistas e cidadãos. Fortalecer o advocacy vai além de informar: exige práticas éticas, responsáveis e baseadas na escuta ativa. É preciso compreender valores, acolher demandas e adaptar formatos, linguagens e canais. Redes sociais, podcasts, vídeos educativos e campanhas digitais ampliam o alcance, envolvendo desde pacientes e familiares até gestores, parlamentares e formadores de opinião. Durante o HEMO 2025, no dia 29/10, das 13h15 às 13h45, estarei com Luana Ferreira Lima, Head de Políticas Públicas e Advocacy da ABRALE/ABRASTA, debatendo a importância da comunicação para o engajamento social na incorporação de novas tecnologias nos sistemas público e privado. O encontro será na Arena Diálogos Abertos. Conto com você para participar dessa discussão. Danilo Gonçalves é jornalista de saúde e especialista em advocacy e políticas públicas pela Fundação Getúlio Vargas

RkJQdWJsaXNoZXIy MTg4NjE0Nw==