ABHH em Revista #15/2025

Foto D vul ç o 32 ABHH em Revista 14 / 2025 Professora titular da UFMG e premiada este ano pela International Society of Thrombosis and Haemostasis, a trajetória da Dra. Suely Meireles Rezende é marcada pela excelência científica nas áreas de trombose e hemostasia Por Madson de Moraes Em junho deste ano, a médica hematologista, professora e cientista Suely Meireles Rezende brilhou em um dos palcos mais importantes dos congressos médico-científicos. Membro do Comitê de Trombose e Hemostasia da ABHH, ela participou da edição do congresso da International Society of Thrombosis and Haemostasis (ISTH), o principal evento mundial na área. Para Suely, a presença em mais uma edição do congresso dessa sociedade não era novidade: ela acompanha desde que iniciou seu interesse em trombose e hemostasia na residência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atualmente é professora titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e médica do Hospital das Clínicas da universidade. A edição do ISTH 2025, porém, teve significado muito especial. Depois de quase 40 anos dedicados ao estudo e pesquisa dessas doenças, Suely recebeu o prêmio Esteemed Career Award, entregue a profissionais cujas contribuições transformam o estudo, diagnóstico e tratamento dessas doenças. A surpresa misturou-se à gratidão. “Foi uma surpresa e uma grande honra receber tal reconhecimento juntamente com outros eminentes colegas da Irlanda, França, Japão e Holanda”, relembra. Para Suely, o sucesso científico é sempre coletivo. O prêmio, pontua, reflete décadas de trabalho conjunto com estudantes de graduação e pós-graduação, mentores e colaboradores de pesquisa. A repercussão, lembra, foi vibrante entre colegas, alunos, colaboradores, familiares e amigos. “O prêmio da ISTH é um reconhecimento à hematologia brasileira.” Da semiologia à hematologia Receber um prêmio de magnitude global poderia parecer um sonho distante para essa médica mineira “da gema”, nascida em bairro simples, filha de um comerciante e de uma dona de casa costureira. Não havia médicos na família e ser a primeira a chegar à universidade parecia um feito distante, mas Suely desde cedo entendeu que a educação poderia ser uma passagem para algo maior. “Gostava de estudar e aprendi a ler e escrever aos cinco anos. Vislumbrei a universidade como um meio de satisfação pessoal e oportunidade de ascensão. Sempre fui proativa com uma dose de ousadia. Acho que por isso fui pioneira em várias atividades da minha vida profissional”, relembra Suely. Aos 17 anos, ingressou em uma faculdade particular de Medicina, por poucos pontos não conseguindo vaga na UFMG. Os desafios foram principalmente financeiros: para manter a bolsa de 50% e seguir os estudos, se tornou monitora de Anatomia durante toda a graduação. Foi nesse período que encontrou mentores decisivos: o professor José de Laurentys Medeiros, pioneiro da Hepatologia em Minas Gerais, e Eduardo Gonçalves de Andrade — o Tostão, campeão mundial em 1970 — que despertaram sua paixão pela semiologia. A experiência na Santa Casa de Belo Horizonte moldou seu olhar clínico, ensinando-a a interpretar sinais sutis, avaliar síndromes complexas e, sobretudo, perceber cada paciente como indivíduo. E a encaminhou à hematologia. “Foi ali, com eles, que recebi grandes ensinamentos em clínica médica”, observa. Ciência com alma perfil

RkJQdWJsaXNoZXIy MTg4NjE0Nw==