ABHH em Revista #15/2025

ABHH em Revista 15 / 2025 34 o mundo. Estive no lugar e hora certa e encontrei gestores receptivos às propostas de melhoria, muitas delas implementadas. Recebemos dois prêmios internacionais e amplo reconhecimento. Influenciar a implementação de políticas públicas é fundamental”, explica. Em 2018, Suely recebeu o prêmio “Capacity Building Award”, concedido pela American Society of Hematology (ASH), por um artigo em que detalhou a montagem do programa. Já em seus 21 anos como docente na UFMG, ela orientou dezenas de alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Atualmente, seu grupo conduz projetos sobre hemofilia, tromboprofilaxia, trombose associada ao câncer e fatores de risco genéticos, além de novas tecnologias como telemedicina aplicada à hematologia. Muitos de seus projetos, explica, buscam gerar dados relevantes não apenas para a ciência, mas também para apoiar as políticas públicas com dados da população brasileira. Ciência entre vocação e desafios Na ISTH, Suely atua como membro desde 1999, assumindo funções estratégicas e conquistando marcos inéditos — atualmente integra o Leadership Development Committee. Em 2014, ela se tornou a primeira representante de países em desenvolvimento a integrar o ISTH Council, com mandato de seis anos, participando ainda dos comitês de Educação, Congresso Anual e Comunicação. Foi também a primeira beneficiária do Regional Training Center Program, parceria entre a Universidade de Leiden, na Holanda, e a UFMG, que promove intercâmbio de profissionais e formação de pós-graduandos, posicionando o Brasil como referência em trombose e hemostasia. “O programa permitirá que o nosso serviço atue como centro de referência para treinar e capacitar médicos brasileiros na área”, destaca a hematologista. O programa é financiado pela ISTH. Dentro da ABHH, ela é membro do Comitê de Hemostasia e Trombose, propondo atividades educacionais e cursos e organizando o conteúdo científico do HEMO. Um sonho, diz, é criar uma R3 específica na área. Para Suely, formar novos líderes exige entusiasmo, ensino com propósito e a capacidade de desmistificar a ciência, reconhecendo os desafios de ser pesquisador no Brasil. “Aqui, a pesquisa muitas vezes se torna um hobby, feita à noite e nos finais de semana, entre atividades obrigatórias na docência. O desafio de se impor uma agenda de ciência no Brasil é uma questão de mentalidade e de reconhecimento da sua relevância no cotidiano”, observa. Sua experiência de atuar sete anos em países desenvolvidos, onde a ciência e o pesquisador são valorizados, reforça essa percepção. A iniciação, defende, aos conceitos científicos deveria começar já no ensino fundamental. Lembrando, sempre, que o sucesso da ciência é coletivo. “Precisamos ensinar com a alma, atrair talentos e mostrar que é possível fazer a diferença. O futuro da ciência depende do que plantamos hoje”, conclui. perfil Momento especial: Dra. Suely recebe o Esteemed Career Award, concedido este ano pela International Society on Thrombosis and Haemostasis Foto ISTH

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