ABHH em Revista #04/2021

A B H H e m R e v i s t a 04 / 2021 26 a r t i g o O LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO (LCM) é uma neoplasia de linfócitos B maduros classificada no grupo de Linfomas não Hodgkin (WHO 2017). A in- cidência é estimada em 0,45 a 0,55 novos casos a cada 100 mil habitantes (Blood 2010, Cancer 2008). A maioria dos pacientes possui apresentação clíni- ca com estadiamento avançado ao diagnóstico, 75% dos casos com acometimento de linfonodos (Blood 1997), 26% acometimento extranodal e 60% dos pacientes com infiltração na medula óssea (Cancer 2003, Cancer 2007). O diagnóstico habitualmente é feito por biopsia tecidual (linfonodo ou extranodal), com linfócitos B de tamanho pequeno a médio, núcleo irregular. Imu- no-histoquímica mostrando CD5 positivo, CD23 ne- gativo e a maioria dos LCM são ciclina D1 positivo. A t(11;14) é encontrada no LCM, mas não é específica deste linfoma (WHO 2017, Br J Haematol 2004). O score de risco mais usado é o MIPI, que pontua os pacientes baseados em idade, ECOG, LDH e conta- gem de leucócitos. O LCM de baixo risco possui so- brevida global (SGLO) estimada de 60% em 5 anos, o de risco intermediário SGLO 35% em 5 anos e o alto risco SGLO de 20% em 5 anos (Blood 2008). O tratamento inicial dos pacientes pode variar de radioterapia (RT) isolada a quimioterapia (QT), seguida de transplante autólogo (TMOa). Os pacien- tes com doença localizada podem ser tratados com RT ou QT. Um estudo retrospectivo de 179 pacien- tes estadiamento I/II tratados em 13 centros mos- trou SLGO em 10 anos para QT, QT+RT ou RT de 69%,62% e 74% (Ann Oncology 2017). Os pacientes não candidatos a TMOa podem ser tratados com R-CHOP seguidos de manutenção com Rituximabe e outras combinações como Rituximabe e Bendamustina. A manutenção com Rituximabe aumenta a sobrevida livre de progressão (SLP) e a SGLO nos pacientes tratados com R-CHOP (J Nat Cancer Inst 2007, Cochrane Library 2007). O LCM candidato a TMOa é tratado com Rituximabe mais quimioterapia contendo Ara-C (J Clin Oncol 2014, Blood 2014, Blood 2008). Taxa de resposta global de 96% com 54% de resposta completa (RC), após seguimento mediano de 3,9 anos a SGLO de 81% (Blood 2008). O LCM recaído pode ser tratado com combina- ções contendo Rituximabe, quimioterapia tradicio- nal, Bortezomibe, Lenalidomida e outros. A principal modificação no tratamento de LCM recaído e refratá- rio é uso dos inibidores da Bruton's Tyrosine Kinase (IBTK). O medicamento mais novo no tratamento dos pacientes com LCM é o Zanubrutinibe, IBTK de segunda geração, seletivo e irreversível. O Zanubru- tinibe é aprovado baseado em estudo de fase II em pacientes recaídos e refratários de LCM com SLP mediana de 22,5 meses (Clin Cancer Res 2020). O Acalabrutinibe também é um IBTK de segunda ge- ração aprovado baseado em estudo de fase II com SLP mediana de 20 meses (ASH 2018). E o primei- ro IBTK aprovado foi o Ibrutinibe, que possui estu- dos de fase II e fase III – neste último a mediana de SLP foi de 15,6 meses (Lancet 2016). Os IBTKs são a principal evolução no tratamento dos LCM recaídos e refratários. Panorama das opções terapêuticas para pacientes com LCM Dr. Glaciano Nogueira Ribeiro Vice-Diretor de Defesa Profissional da ABHH e hematologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 04 / 2021 A B H H e m R e v i s t a

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