Jornal do COSEMS-SP - Ed. 204 - Maio 2020

3 #DICADO GESTOR 204 | MAIO 2020 ELAINE GIANNOTTI, ASSESSORA TÉCNICA DO COSEMS/SP É NECESSÁRIA UMA REVISÃO DAS GRADES REGIONAIS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA (GRUE) DE FORMA A FACILITAR O ACESSO REGULADO DESSES PACIENTES AO RECURSO NECESSÁRIO EM TEMPO OPORTUNO. NESTA REVISÃO, A COMISSÃO INTERGESTORES REGIONAL (CIR) DEVE DEFINIR OS EQUIPAMENTOS DE REFERÊNCIA PARA COVID-19 COM AS RESPECTIVAS ABRANGÊNCIAS, BEM COMO OS EQUIPAMENTOS QUE RECEBERÃO PRIORITARIAMENTE OS PACIENTES COM OUTRAS PATOLOGIAS Orientações para a organização dos serviços de urgência e emergência para a covid-19 importante que todos os municípios tenham um plano assistencial para organizar sua rede de serviços no contexto da pandemia. Esse plano precisa estar em consonância com a nova Grade de Urgência eEmergência, elaborada de forma bipartite para todas as Regiões de Saúde e utilizada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) e centrais municipais para regular as solicitações de atendimento de casos suspeitos e/ou confirmados da covid-19, assimcomo as demais demandas de urgência e emergência. Todos os serviços de saúde que atendem demanda espontânea estão reorganizando suas portas de entrada de forma a identificar os pacientes com sintomas respiratórios e oferecendo um cuidado diferenciado. No SAMU e nos Pronto Atendimentos fixos, os pacientes devem ser orientados a informar se estão com sintomas respiratórios para receber imediatamentemáscaracirúrgica. Nos ambientes hospitalares, se recomenda que o hospital separe uma enfermaria ou área para os pacientes coma infecção. Regulação do Acesso Todos os equipamentos de saúde estão sujeitos a receber pacientes confirmados ou com suspeita da covid-19. Por isso, todos os municípios devem identificar as portas de entrada para esses pacientes, que podemser todas as UBS e/ou Pronto Atendimentos (PA) de seu território ou alguns serviços prioritários para esse atendimento, divulgando essa informação para a população. Toda UBS deve ter um PA 24 horas de referência para os casos que necessitarem de observação e todo PA deve ter um hospital de referência para os casos que necessitarem de internação em enfermaria ou UTI. É necessária uma revisão das Grades Regionais de Urgência e Emergência (GRUE) de forma a facilitar o acesso regulado desses pacientes ao recursonecessário em tempo oportuno. Nesta revisão, a Comissão Intergestores Regional (CIR)devedefinirosequipamentos de referência para covid-19 com as respectivas abrangências, bem como os equipamentos que receberão prioritariamente os pacientes com outras patologias. Essa grade deve ser revista periodicamente sempre que houver alteraçõesnas referências, seja por abertura de novos leitos, seja por saturação momentânea de alguns equipamentos. Cada alteração deve imediatamente ser disponibilizada para as Centrais de Regulação de Urgência municipais e CROSS. Dimensionamento de leitos Os gestores precisam ter uma previsão da necessidade de ampliação de leitos gerais e de UTI para o planejamento de seu território e das Regiões de Saúde, visando a redução dos impactos causados pela falta de leitos e, consequentemente, reduzindo o eventual número de óbitos e aumentando a quantidade de pessoas recuperadas. Em geral, tem sido utilizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/ SP) o parâmetro de que 1% da população será afetada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das pessoas não terão sintomas ou terão sintomatologia leve sem necessitar de tratamento, 20% precisarãode internaçãoe, destes, 5% apresentarão quadros graves, podendo necessitar de leitos de UTI. É sabido, no entanto, que esses parâmetros podem se alterar ao longo da pandemia dependendo da efetividade do isolamento social, das condições socioeconômicas e da proporção de idosos, entre outros fatores. Dessa forma, é importante que estudos científicos de estimativas da prevalência da infecção nas regiõesdoestadoe levantamentos sorológicos em toda a população sejam realizados pela SES em parceria com universidades, com apoio do Centro de Contingência, para fornecer subsídios aos gestores no planejamento das ações de enfrentamento da epidemia, incluindo estimativas dos quantitativos de leitos necessáriosparaoenfrentamento deste momento. Informações atualizadas da ocupação de leitos pelo censo hospitalar também colaboram nesse planejamento. Um estudo realizado pelo Laboratório de Tecnologias de Apoio à Decisão em Saúde (LABDEC), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresenta um modelo matemático para previsão da disponibilidade de leitos durante a pandemia e calcula os momentos de ruptura dos sistemas, ou seja, quando faltarão leitos gerais e de UTI, baseado em diversas premissas que, obviamente, devem ser validadas pelos gestores e profissionais da saúde. O e studo pode ser encontrado no li nk https://bit.ly/36Q4264 . O H ospital Sírio Libanês também disponibiliza uma ferramenta de apoio ao planejamento pel o link https://bit.ly/3diSXgi . O COSEMS/SP publi cou a Nota Técnica nº 07, elaborada por sua equipe técnica, com orientações para a organização dos serviços de saúde de urgência e emergência no contexto da covid-19. O documento foi desenvolvido para colaborar com os gestores municipais na organização do atendimento dos serviços que compõem a Rede de Urgência e Emergência (RUE) diante da covid-19. Acess e: https://bit.ly/2yuQBM8 É

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