Atenção Básica - Vol.II

Família cadastrada e até 5 ACE’s nas Unidades Básicas de Saúde. A segunda etapa foi a realização de 7 mini-cursos, que reuniram todos os ACE e ACS das para troca de experiências, capacitação teórica sobre a nova forma de atuação, importância do diagnóstico do território, vigilância em saúde, educação em saúde e comunicação. Cada mini-curso teve 20 horas de duração sendo 12 horas de treinamento integrado e 8 horas específicas para os ACE’s. A terceira etapa foi a definição do calendário integrado de trabalho para o início das práticas nas unidades, bem como da rotina de inserção dos novos profissionais nas equipes. Foram realizadas, no mínimo, três reuniões em cada unidade para apresentação da proposta e monitoramento das ações realizadas no território. Nesses encontros, houve a construção coletiva de ações, tais como o mapeamento das áreas, incentivo à criação de grupos de sala de espera para orientação da comunidade, formas de registro das informações e, principalmente, estímulo a criatividade para emergir práticas de cuidado ampliado no território que não se restringissem às arboviroses. Os ACE lotados nas UBS contavam com o suporte de um “tutor” durante as primeiras semanas de trabalho, favorecendo ainda mais a integração e o reconhecimento da importância do território como base de ações. RESULTADOS Atualmente todas as equipes da AB contam com ACE em seus quadros, considerando-os como membro da equipe. O planejamento integrado com o ACS e outros membros da equipe favorece o cuidado ampliado dos territórios, de modo que, não fiquem com o olhar apenas no mosquito, mas em todas as endemias. A estratégia racionalizou as ações no domicílio, evitando duplicidade de visitas, além de racionalizar o número de ACE por território. A inserção do ACE nas equipes também favoreceu o acesso às residências e aumentou o número de ações de educação em saúde com a implementação de grupos de sala de espera alusivas ao tema. CONSIDERAÇÕES FINAIS A reformulação da PNAB- 2017, trouxe elementos importantes para consolidar a integralidade e o cuidado ampliado na Atenção Básica . Um dos pontos de relevância foi a possibilidade de incluir ACE nas equipes da AB favorecendo a integração com os ACS no território. Em Santos, a proposta trouxe ganhos significativos para a aproximação desses dois profissionais de saúde: ACE e ACS trabalhando juntos, fazendo vigilância, prevenção, promoção e educação em saúde. Acreditamos que é na AB que o sistema de saúde se reorganiza, garantindo acesso, educação em saúde e oportunidade de poder discutir os problemas de seu território e poder propor estratégias para melhorar sua realidade local. O ACS e ACE ficaram mais fortes na UBS, pois juntos conseguem mostrar a realidade do território para toda equipe. O processo de integração dos ACE também desvelou a necessidade de deslocamento das zonas de conforto das equipes técnicas envolvidas nos planejamento das ações. Como já relatado, a intenção sempre foi criar uma nova forma de atuar, que não ficasse restrita à visitação e a busca por criadores de mosquito, mas que pudesse efetivamente mobilizar equipe e comunidade para o enfrentamento das endemias típicas de cada território. A ideia era desconstruir discursos prontos e abrir espaço para novos diálogos, para o compartilhamento de saberes e o planejamento integrado de ações. ATENÇÃO BÁSICA 183

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