Atenção Básica - Vol.II

METODOLOGIA O grupo é iniciado com a explicação dos objetivos do mesmo e um contrato verbal de confidencialidade e de colaboração espontânea, considerando-se as incertezas dos participantes, gerando um ambiente seguro e confiável. Seguido da apresentação dos profissionais integrantes e dos participantes presentes e o motivo que o trouxe ao grupo. O grupo tem três etapas. Na primeira etapa são colhidos os relatos de cada caso, no formato de uma anamnese objetiva e subjetiva, com as condutas tomadas e a condição atual. A entrevista é realizada sempre estimulando o usuário a expressar suas vivências espontaneamente, mas também centrada no seu sofrimento ou transtorno mental e fatores associados. Cada participante tem direito ao exercício da fala, de sua opinião, de seu ponto de vista e de seu silêncio. Terminada esta etapa, alguns profissionais seguem para a discussão em outro ambiente deixando os participantes aos cuidados ambiente acolhedor enquanto aguardam o retorno da equipe de profissionais. A segunda etapa permite trocar informações e saberes que levam a uma ampliação da capacidade de análise e de intervenção nas demandas das pessoas tanto quanto sobre o próprio contexto quanto sobre o seu modo de vida e sua subjetividade. Concluído isto, dá-se prosseguimento às condutas, sempre direcionando aos profissionais da própria unidade, como NASF, médicos generalistas, atendimento psicoterápico individual ou em grupo, consulta compartilhada com o psiquiatra e outros profissionais, encaminhamento para serviços especializados externos à unidade ou mesmo dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A devolutiva é realizada na terceira etapa, quando o grupo profissional retorna e os usuários recebem os encaminhamentos internos e as orientações necessárias, assim como sugestões de modificações de hábitos ou de tomadas de iniciativa em prol da sua própria saúde, como a prática de atividades físicas, reeducação alimentar, reinserção social, prática de sua espiritualidade, cuidados pessoais e outros. RESULTADOS O Grupo de Acolhimento proporcionou melhor acesso dos pacientes ao serviço de saúde, levando à avaliação não somente de critérios de saúde mental, mas em outros âmbitos. Dessa forma, as agendas de atendimento individual dos profissionais envolvidos foram otimizadas, ampliando o acesso. A partir desse Grupo, o foco dos problemas de saúde mental saiu unicamente do psiquiatra e psicólogo e passou a ser da equipe multiprofissional. A maioria dos casos foram resolvidas com encaminhamentos internos, absorvidos para outros grupos, como educativos, terapêuticos e os de práticas corporais, entendendo que, o processo saúdedoença envolve diversos fatores. Os demais casos foram encaminhados para os demais serviços do município como CAPS e CER IV CONSIDERAÇÕES FINAIS O grupo de acolhimento em saúde mental no molde de porta aberta auxiliou no atendimento da demanda crescente, reduziu o tempo de espera e o número de consultas com diversos especialistas com uma escuta qualificada, direcionando mais efetivamente os encaminhamentos para avaliações em outras especialidades. Além de ser uma proposta de resolução para demanda externa, também realiza um enriquecimento ampliado de conhecimentos com as demais equipes da ESF, do NASF, as recepcionistas, os ACSs e as equipes de enfermagem. Observou-se que este grupo como um espaço de capacitação de todos os profissionais que participam do mesmo. Um momento de aprendizado que se firma a cada encontro, gerando no profissional a segurança e independência necessárias na condução das ações. Por ser um grupo aberto e heterogêneo, a equipe de saúde se mostrou muito envolvida encaminhando, muitas vezes, de forma não criteriosa, um grande número de pacientes. Portanto, há necessidade de maior critério da seleção dos casos enviados, já que alguns pacientes demandam de acompanhamento individualizado de profissionais de formação específica e não se enquadram em tratamento em grupo. ATENÇÃO BÁSICA 207

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