Atenção Básica - Vol.II

a oferta de inserção do DIU no sentido de sistematizar e organizar a efetivação da proposta e desenvolver estratégias de enfrentamentos para as questões evidenciadas nas discussões do planejamento da operacionalização desta ação de descentralização. Esta estratégia teve por base a organização da rede como proposto pela Portaria Ministerial N° 4.279 de 30 de dezembro de 2010, de onde entendemos que o referenciamento da inserção do DIU teria uma maior viabilidade operacional sustentável e um tempo de resposta à necessidade do usuário muito mais adequado do que manter o referenciamento verticalizado no nível secundário.No processo de viabilização da ação foi proposto, por meio de um diálogo sociointeracionista entre regulação, apoiadores e profissionais executores, que o acesso se daria através de uma revisão de fluxos assistenciais das UBS no campo da Saúde da Mulher. Para isso foi proposto a reorganização destes fluxos, de forma a garantir o acesso na agenda programática tanto do profissional médico como do enfermeiro de forma que ambos trabalhassem “ombro à ombro” na avaliação das usuárias e realização do procedimento de inserção do DIU. Houve a necessidade de se aprimorar alguns processos de trabalho, tal qual o monitoramento de entrega dos materiais necessários para a realização do procedimento. Neste processo de revisão dos processos operacionais cabe dar um destaque maior a revisão das filas de espera e a estratificação e classificação de riscos das usuárias que aguardavam o agendamento por ordem de inclusão, fato este que chegava a demorar de 1 à 2 anos. Desta forma optamos por, em conjunto com a Assessoria Técnica de Ginecologia estabelecer critérios clínicos para a indicação e priorização da necessidade de ser inserido o DIU. Assim pactuamos que o nível secundário ficaria responsável pelos casos de maior prioridade, aqueles oriundos do ambulatório de pré-natal de alto risco e os casos que havia indicação clara de utilização de DIU do tipo Myrena. Em seguida estes critérios foram validados pelos serviços da AP que se dispuseram a ofertar o serviço. Seguido então por um grande esforço dos equipamentos da AP em revisar suas filas, de modo a utilizá-las e adequá-las aos novos critérios. RESULTADOS • Descentralização da oferta de colocação de DIU para 22 UBS da Rede Municipal (62,9% das UBS); • Espaço para criação e fortalecimento de vínculos entre as equipes e mulheres; • Reavaliação das pacientes em fila de espera há mais de 2 anos, • Aproximação das equipes com a temática de saúde reprodutiva • Relações profissionais mais afetivas e empáticas, • Resposta em tempo oportuno à demanda de necessidades de saúde da população. • Redução da demanda reprimida; CONSIDERAÇÕES FINAIS Todo esse processo de re-significação das narrativas profissionais focando a qualificação da assistência baseada na necessidade da população demonstrou não apenas eficácia na proposta de descentralização de um procedimento médico mas, também, trouxe maior sensibilização dos trabalhares em relação às possibilidades de ofertas de cuidado no território adscrito à UBS. Desta forma concluímos que a reflexão sobre a prática, atrelada à clareza de necessidade da população nos trás ferramentas estratégicas valorosas, na sensibilização das equipes para o aperfeiçoamento das ofertas de cuidado e qualificação da assistência. ATENÇÃO BÁSICA 36

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