Atenção Básica - Vol.II

e fisioterapeuta) quanto os profissionais das ESFs. Ao final do curso é criado um grupo na mídia social “WhatsApp” para facilitar o acesso das mães aos profissionais de saúde que podem ajudar no manejo da amamentação, além disso, o grupo permite a criação de uma rede de apoio entre as mães. Na primeira consulta do bebê na ESF, para realização do teste do pezinho, todo o acompanhamento de puericultura é novamente informado a mãe, além disso, orientações sobre a amamentação são retomadas, bem como a disponibilização na rede de laserterapia para tratamento das fissuras mamilares quando necessário, visto que as fissuras podem levar ao desmame precoce dos bebês. Os profissionais do NAFS-AB (fonoaudióloga e fisioterapeuta) participam de alguns atendimentos de puericultura, dando apoio às equipes de saúde da família, e realizama aplicação do laser quando necessário, alémdas orientações nomanejo à amamentação. Outra importante ferramenta criada foi o protocolo de solicitação do leite artificial, visando a disponibilização somente para os casos realmente necessários. Para que tal protocolo tivesse sucesso em sua implantação, foi de suma importância o apoio da gestão bem como a articulação entre profissionais do Departamento de Promoção Social e o pediatra da rede, para que todos trabalhassem em prol do mesmo objetivo. A equipe NASF-AB apoiou a implantação, participando da criação do protocolo, bem como articulando os setores envolvidos. RESULTADOS Atualmente observamos um interesse maior das mães em realizar o acompanhamento de puericultura nas ESFs, bem como um empoderamento destas com relação a amamentação, que agora munidas de informações e apoio sentem-se mais preparadas para amamentar. Dos 63 bebês nascidos entre janeiro a agosto de 2019 (que já completaram seis meses de vida até 29 de fevereiro de 2020), 42 (67%) realizaram o acompanhamento de puericultura nas ESFs. Entre esses, 20 (48%) se amamentaram exclusivamente de leite materno até os seis meses de idade, 11 (26%) tiveram amamentação complementada e/ou predominante e 11 (26%) amamentação inexistente. Visto que o índice de amamentação exclusiva para menores de seis meses, estabelecido pela Assembleia Mundial de Saúde, a ser alcançado até 2025 é de 50%, acreditamos estar no caminho certo para que tal objetivo seja alcançado até o ano estipulado. Não há dados comparativos, visto que no ano de 2018 a puericultura não era realizada nas ESFs. CONSIDERAÇÕES FINAIS É perceptível o impacto das ações do NASF-AB na promoção a amamentação, além das outras ações de promoção a saúde que realiza no município. Infelizmente tudo isso está ameaçado pelo atual cenário do novo financiamento da Atenção Básica, no qual as equipes NASF-AB deixam de existir como requisito para repasse de recursos, ficando a cargo dos gestores definirem se manterão os profissionais na Atenção Básica. É importante conscientizar as Secretarias de Saúde sobre o impacto positivo do trabalho do NASF-AB para a saúde da população, para que as ações sejam mantidas, e o acesso garantido da população a esses profissionais, dado que não há retaguarda na atenção secundária para suportar a demanda. Além disso, o NASF-AB aposta em formas mais complexas de cuidar, pautadas no diálogo, na ampliação da clínica e no compartilhamento de saberes. O bom número de experiências exitosas, como esta relatada, das equipes NASF-AB já mostram a importância da manutenção desse trabalho! Referências Bibliográficas Caderno de Atenção Básica nº23: Saúde da Criança. Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Ministério da Saúde. 2015 Novo financiamento da atenção básica: possíveis impactos sobre o Nasf-AB. Disponível em: Bases para a discussão da Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno. Ministério da Saúde. 2017 ATENÇÃO BÁSICA 93

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