Jornal COSEMS/SP - Ed. 207

Giannotti. A íntegra do debate está disponível no podcast “Conexão COSEMS/SP”. ABERTURA DE LEITOS Para evitar o colapso do sistema de saúde, o PSP priorizou a abertura de leitos e o mo- nitoramento das taxas de ocupação e inter- nações. Mas teria sido a melhor estratégia ou poderiam também ser priorizadas outras ações de combate à pandemia, como o forta- lecimento da atenção básica e de ações de vigi- lância epidemiológica? Para Reple, a abertura de leitos foi uma ação importante. “Antes da pandemia, o estado tinha três mil leitos de UTI e nós chegamos a ter 14 mil leitos de UTI em fun- cionamento que, na minha opinião, foram importantes. Mas em nenhum momento se deixou de pensar na atenção básica e vigilância epidemiológica. Trata-se de um legado importante. Temos que entender, porém, que o PSP consiste em algo mais amplo, não apenas focado em leitos”, ressalta. ParaMaria Amélia, a abertura e manutenção dos leitos no cur- so da pandemia foi uma ação importante, mas avalia que houve uma ênfase excessiva nessa questão e que isso pode ter influencia- do outro componente importante: impedir a transmissão do ví- rus. “Talvez no primeiro período tenhamos nos concentrado ex- cessivamente nesse aspecto e, de alguma maneira, secundarizado - e até negligenciado - esse outro componente importantíssimo, que era impedir medidas que evitassem a transmissão do vírus e a identificação de casos assintomáticos. A ênfase [na priorização de leitos] foi grande no primeiro momento e, de alguma maneira, ainda não foi corrigida”, analisa. TESTAGEM EM MASSA Outro ponto do debate promovido pelo COSEMS/SP foi discu- tir se a estratégia de testagem da população não deveria ter sido contemplada no PSP. Para Maria Amélia, o estado, apesar do seu esforço, poderia ter apresentado essa estratégia para a população, indicando como utilizá-la. “Acho que não fizemos um bom tra- balho quanto à testagem. Até hoje a quantidade de testes é insu- ficiente. E não fica claro de que forma os resultados têm direcionado as medidas de contenção.” Sobre essa questão, Gabbardo diz que o es- tado não fez a testagem como se esperava, mas observa a dificuldade logística no início da pandemia. “Nós ainda utilizávamos como for- ma principal o teste PCR, cujo resultado demorava a sair. Na verdade, a nossa testagem sempre foi feita para confirmar o diag- nóstico, e não para identificar contatos e isolá-los. Infelizmente, mesmo agora, com o teste [com a pesquisa de antígeno], mais rápido e barato, não conseguimos evoluir”, pontua. COMUNICAÇÃO MAIS ASSERTIVA Um ponto que Maria Amélia trouxe ao deba- te diz respeito à dificuldade dos gestores de se comunicar com a população. Um exemplo: o mês de junho deste ano teve recorde de ca- sos registrados no estado e as medidas adota- das nesse período foram mais flexíveis do que aquelas para patamares muito mais baixos no ano de 2020. “O número de casos foi aumentando, mas não hou- ve intensificação das medidas de proteção. O número de casos aumenta e as medidas vão sendo flexibilizadas. Temos um ca- minho pela frente no sentido de como nos comunicarmos e construirmos junto com a população uma melhor adesão às medidas que visam preservar vidas”, enfatizou. O Estado de São Paulo contabiliza mais de quatro milhões de pessoas que tiveram Covid-19, com casos registrados em todos os municípios. Gestores e profissionais de saúde foram atingidos duramente na pandemia. Quase 440 mil pessoas foram inter- nadas e tiveram alta e os óbitos ultrapassam a casa de 143 mil, população que corresponde a cidades como Botucatu, Santana do Parnaíba e Atibaia. A vigilância, o monitoramento e a vaci- nação contra a Covid-19 ainda serão desafios aos gestores nos próximos anos. Commenos de 30% da população vacinada com duas doses, o COSEMS/SP reforça a necessidade de foco no en- frentamento e comemora, com reservas, a queda da ocupação de leitos, atentos à circulação da variante Delta do coronavírus. A íntegra do debate sobre o Plano SP está disponível no primeiro episódio do podcast Conexão COSEMS/SP. Ouça agora mesmo! COSEMS/SP no 5 #VacinaJá

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