Jornal COSEMS/SP - Ed. 207
Qual a análise que o senhor faz da campa- nha de vacinação da Covid-19? A imunização teve contra- tempos desde o início. A poli- tização da vacina enfraqueceu o PNI. Não houve consenso nem bom relacionamento en- tre o Governo federal e esferas estaduais e municipais. Pela escassez de vacina, foi neces- sário intensificar os grupos prioritários. À medida que os grupos eram imunizados com duas doses, podíamos focar em outros grupos. Como não houve uma homogeneização, os estados e municípios co- meçaram introduzir diferen- tes critérios e priorizações. Para ter imunidade coletiva, são necessárias duas coisas: alto patamar e homogeneida- de da cobertura. O que pode ser reco- mendado como pon- to de atenção para os gestores? Discussão nas bipartites quanto a um calendário de va- cinação a ser seguido para que tenha uma maior homogenei- dade dos grupos. O segundo ponto seria dar capacidade aos municípios para análise da sua cobertura vacinal no dia a dia. Evitar fazer ranking de quem vacina mais, quem vacina me- nos. A imunidade ficou ques- tão individual, mas precisa ser tratada como objetivo coleti- vo! Sem um patamar alto de vacinação com 2 doses, uma pessoa pode ter uma proteção, mas a coletividade não. Qual a perspectiva de ter que usar doses adi- cionais nos esquemas de vacinação? Esse assunto é estudado em todo mundo. Haverá ou não necessidade de refor- çar a imunidade para cobrir melhor as variantes que sur- girem? Ou talvez tenhamos que proceder como acontece O médico epidemiologista José Cássio de Moraes, de 75 anos, fala com autoridade sobre campa- nhas de vacinação no Brasil. Referência na área, em 1975 esteve à frente da campanha de vacina- ção da população contra meningite, a primeira realizada em nível nacional. Professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP), foi um dos organizadores do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, e atualmente é membro do Observatório Covid-19. Neste bate-papo, detalha os desafios da campanha de vacinação e comenta a politização do tema. com o vírus da Influenza: de- vido às mutações, todo ano é produzida uma vacina nova. Antes de pensar na dose adi- cional, é preciso aplicar a se- gunda dose em toda a popu- lação. Não adianta escolher grupos para tomar dose adi- cional, se há gente que ainda não tomou sequer a primeira. O que pode ser feito para evitar que as pes- soas escolham a vacina? Um bom processo de comu- nicação para explicar a quali- dade de todas as vacinas. Como houve politização da vacina, surgiu essa diferenciação entre os imunizantes. Fomentou-se uma desconfiança sem razão. Depois teve a divulgação de eventos adversos que ocorrem em algumas vacinas. Esses epi- sódios são comuns em qual- quer medicamento. Vejo essa situação como uma questão política, porque nunca existiu isso com outra vacina. E N T R E V I S T A José Cassio de Moraes “Para ter imunidade coletiva, são necessárias duas coisas: alto patamar e homogeneidade da cobertura” Clique aqui para ler a entrevista completa no site do COSEMS/SP #VacinaJá 6 Julho/Agosto 2021 | 207
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