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Revista Vestir
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dar condições claras para crescimento
e dinamismo das empresas.
Além das reformas estruturais, há
mais alguma outra ação que o País
possa tomar para ser mais competitivo
e menos burocrático?
Honda
-
Não. O Brasil não precisa mais
de atitudes cosméticas. Por exem-
plo, já foram anunciadas centenas
de desonerações que nem chegam
a ser desonerações propriamente di-
tas. É necessário ter agilidade, de
forma simples e com menor carga
tributária. Com isso você elimina as
vantagens da sonegação. A arre-
cadação não cairá. Na Fiesp acompa-
nhamos alguns setores em que cai o
preço do imposto e a arrecadação, ou
continua a mesma ou aumenta. Quan-
do falamos do ICMS, por exemplo, é
uma ponta. A carga tributária é sem-
pre maior para quem ganha menos. Se
um funcionário recebe um salário mí-
nimo, grande parte desse dinheiro vai
ficar no supermercado, por exemplo,
que tem cobrança de ICMS. Os gover-
nantes precisam ser menos conserva-
dores e enxergar que, no atual cenário,
só existe informalidade e sonegação
porque essas têm valido a pena, finan-
ceiramente falando.
Como convencer o poder público de
que é vantajoso baixar cargas tributá-
rias de diversos produtos, inclusive do
vestuário?
Honda
-
O que gera informalidade é
essa distância para a formalidade.
Hoje, a informalidade compensa. Se
houver flexibilização para formalização
da mão de obra, na parte trabalhista e
tributária, o empresariado responde po-
sitivamente. Mas creio que esse seja o
momento de discutir essas mudanças
importantes. Estamos perto de abor-
dar a questão da ICMS, e isso é um
amadurecimento da sociedade. Che-
gou o momento de pensar, sem receio,
à longo prazo. Foi assim que mercados
do mundo todo conseguiram o nível de
competitividade de hoje. Quando se
baixa a carga de tributos, a arrecada-
ção simplesmente muda de lugar. Não
há motivos para preocupação dos go-
vernantes em perder recursos de for-
ma abrupta. Aliás, isso não aconteceu
em nenhum lugar do mundo.
Líderes e empresários do setor têm
se mostrado desanimados. Caso não
ocorram mudanças rapidamente, o
que pode acontecer com a indústria do
vestuário brasileira?
Honda
-
Esse setor sofre muito com a
invasão dos importados. Muitas pes-
soas vão para o exterior e trazem malas
de roupa. Há necessidade de política
urgente para esse setor. E quando isso
é dito, vale lembrar que as ações preci-
sam ser urgentes, não se pode correr o
risco de perder essa indústria e demitir
milhares de trabalhadores. A grande di-
ferença do Brasil para os asiáticos, por
exemplo, é que enquanto as autorida-
des brasileiras pensam e procrastinam,
os orientais agem, criam mecanismos
dinâmicos. É preciso mudar essa reali-
dade o quanto antes.
Os políticos brasileiros demonstram
muito conservadorismo?
Honda
-
Sim. Muitas vezes quando uma
desoneração das mais tímidas é san-
cionada, o anúncio parece de uma me-
dida extraordinária, mesmo que isso
ocorra após meses ou até anos de dis-
cussões. Ou se trata a economia com
o cuidado e atenção necessária, ou
o Brasil terá imensas dificuldades de
competir nesse mercado. As reformas
estruturais precisam sair do papel sem
que os administradores públicos pen-
sem apenas em mesquinharias. O em-
presariado e os funcionários do País
têm competência para fazer a roda
da economia girar, faltam os políticos
acompanharem esse processo.
É preciso admitir
que muitos
brasileiros vão
aos Estados
Unidos e trazem
malas e mais malas
de roupas sem
pagar um centavo
de imposto ao País