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HEMO
janeiro/fevereiro/março 2013
panorama
A despeito de enfrentar entraves pontuais, padrões
de qualidade de laboratórios brasileiros são
comparados aos de grandes instituições mundiais
A
pesar de ser uma área em
expansão mundial, pois
mais de 70% da conduta
do médico está baseada em
exames de imagem e de laboratório, a
hematologia laboratorial é um campo de
atuação ainda pouco explorado no Brasil,
segundo Nydia Strachman Bacal, presi-
dente do Centro de Hematologia de São
Paulo (CHSP). “Poucos laboratórios têm
médicos hematologistas responsáveis em
sua área técnica que podem auxiliar na
indicação dos melhores exames para cada
caso, principalmente em serviços públicos
ligados a universidades e laboratórios pri-
vados.” Segundo ela, a centralização dos
exames mais específicos em laboratórios
especializados das grandes cidades auxilia
na melhora técnica pela grande demanda e
aquisição de experiência, mas dificulta no
acesso de diversos pacientes.
Para o onco-hematologista e gerente
do serviço de diagnóstico de doenças on-
co-hematológicas, André Marinato, viabi-
lizar testes de diagnóstico de alta qualida-
de com custo acessível, é um dos maiores
Progresso
laboratorial
desafios da hematologia laboratorial no
País. De acordo com ele, é necessário con-
vencer as fontes pagadoras – convênios e
Sistema Único de Saúde (SUS), de que in-
vestir em diagnóstico traz benefícios tanto
para o paciente quanto para quem paga
pelos procedimentos. “Um paciente bem
diagnosticado tem maiores chances de su-
cesso no tratamento e, muitas vezes, isso
gera economia para o sistema.”
Segundo Marinato, o Brasil ainda
carece de tecnologia em alguns setores
devido ao alto custo e entraves burocrá-
ticos para a aquisição de equipamentos e
reagentes importantes. Nydia reitera que
a burocracia nas importações, os requisi-
tos de órgãos governamentais e os impos-
tos, distanciam a obtenção de tecnologias
inovadoras. Além disso, a qualificação de
técnicos é demorada, escassa, pouco reco-
nhecida e remunerada.
Na opinião do hematologista João
Carlos de Campos Guerra, que atua no
Hospital Albert Einstein e no CHSP, é
necessário que a hematologia laboratorial
nacional acompanhe a evolução mundial,