HEMO
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janeiro/fevereiro/março 2013
aconteceu
Na última edição da
Hemo em
revista,
foi publicada na editoria
Panorama, uma matéria sobre infec-
ções fúngicas. Na ocasião, Márcio
Nucci, coordenador de um estudo
da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), afirmou que “o
governo brasileiro cobre razoavel-
mente bem o Transplante de Medula
Óssea (TMO), mas negligencia o
paciente com Leucemia Mieloide
Aguda (LMA)”.
Isso porque, segundo informou
o próprio Ministério da Saúde (MS)
à equipe de reportagem da Hemo,
o valor pago por um TMO é de
R$ 22.968,78, enquanto a diária de
uma internação para quimioterapia
de leucemias agudas e crônicas é de
R$ 562,50.
Arnaldo Colombo, professor ti-
tular da disciplina de infectologia da
Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) e bolsista de Produtividade
em Pesquisa do CNPQ – Nível 1A
que possui um estudo em parceria
com Nucci, concorda com o colega
e explica o por quê.
Ambos os especialistas partici-
param de um estudo multicêntrico
com oito hospitais terciários brasi-
leiros, entre 2007 e 2009, em que
foi possível detectar que cerca de
20% dos 900 pacientes hematoló-
gicos (portadores de LMA, recep-
tores de células-tronco) acompa-
nhados por um ano desenvolveram
esse tipo de infecção. Ele explica
que isso acontece, entre outros
motivos, porque o paciente com
LMA não fica em quartos com fil-
tro HEPA e pressão positiva, os
quais servem para deixar o am-
biente com menor concentração de
Negligência
em infecções
fúngicas
Falha
propágulos fúngicos livres no ar.
“Os centros que são credenciados
para fazer transplante de células-
tronco conseguem oferecer esse
quarto, pelo menos, para mais
de 70% dos pacientes. Agora, no
caso de portadores de LMA, via
de regra, menos de 30% deles fica
nessas condições. Então o risco de
infecção é maior”, afirma.
Colombo aponta ainda a falta
de recursos diagnósticos existen-
tes no SUS, afinal poucos hospi-
tais têm disponível os testes para
dosagem de antígenos de fungos,
a exemplo dos sistemas comerciais
para detecção de galactomanana
e glucana –, e profissionais de la-
boratório habilitados a realizar a
identificação de fungos em cultu-
ra ao nível de espécie. Em relação
ao tratamento, o professor lembra
que existe uma droga muito utili-
zada no mundo para profilaxia de
infecções fúngicas em pacientes
com leucemia e aqueles submeti-
dos a transplante de célula tron-
As infecções comprometem a
qualidade de vida dos pacientes
e podem deixar sequelas
co, o posaconazol, mas que não
está disponível no Brasil. “Está
disponível em todos os países da
Europa, Estados Unidos e vários
da América Latina e aqui não. Esta
droga está em processo de aprova-
ção na Anvisa há muitos anos”.
Ao concordar com a opinião de
Nucci, o médico diz que o MS, de-
finitivamente, não está com ‘radar
alerta’ para as complicações repre-
sentadas pelas infecções fúngicas
em termos de comprometimento
da qualidade de vida dos pacien-
tes, sequelas e altas taxas de morte
associadas às infecções fúngicas.
O especialista também defendeu
a necessidade de valorizar o diag-
nóstico precoce das infecções fún-
gicas invasivas como um todo no
País. Confira a entrevista completa
no portal da ABHH.