medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2013
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capacitação e mercado
Especialidade
pouco difundida
no País tem
apresentado
grande
crescimento e
oferece muitas
oportunidades
e estabilidade
aos futuros
profissionais
que se
especializarem
na área
AMedicina Nuclear (MN) é uma
especialidade médica que emprega
fontes abertas de radionuclídeos
com finalidade diagnóstica e tera-
pêutica. E nesse contexto, a tecnolo-
gia é um dos pontos fortes, aliada à
atuação dos médicos para com seus
pacientes. Porém, a especialidade
ainda é pouco conhecida no Brasil e
enfrenta preconceitos de especialis-
tas, residentes e estudantes que têm
pouca informação sobre o assunto.
Segundo a pesquisa Demografia
Médica no Brasil, publicada em 2011,
de 204,5 mil médicos formados no
País, 499 são médicos nucleares,
representando apenas 0,24% do
total. A região sudeste concentra o
maior número de especialistas da
área, com 184 médicos nucleares só
no estado de São Paulo. Estados
como Acre, Rondônia e Roraima,
não possuemmédicos nucleares.
Portanto, são frequentes as oportu-
nidades de emprego para quem opta
por essa área. No entanto, ainda há
uma distribuição desigual de espe-
cialistas no Brasil.
Por isso, esse é um dos pontos de
maior atuação da Sociedade
Brasileira de Medicina Nuclear
(SBMN). De acordo com Sonia
Marta Moriguchi, coordenadora do
departamento de Centros
Formadores da Sociedade, integran-
te do Hospital das Clínicas de
Botucatu e do corpo docente da
Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho (Unesp) na
mesma cidade, essa realidade tem
tudo para mudar em breve.
Isso porque a medicina nuclear
proporcionou vários progressos
para quadros que antes eram consi-
derados de detecção complexa ou
até impossível. “O PET/CT, equipa-
mento que une imagens funcionais e
anatômicas, por exemplo, emmui-
tos casos de cânceres, é considerado
State of the Art em diagnóstico, esta-
diamento e reestadiamento. Ele
mudou completamente o manejo
desses pacientes levando-os a uma
melhor sobrevida”, esclareceu a
coordenadora.
“Esse exame é capaz de realizar a
identificação do tecido tumoral resi-
dual ou recidiva tumoral, por vezes
limitada a outros métodos e rastrear
as metástases”, afirmou a especialis-
ta, ao lembrar que doenças que cau-
sam grandes problemas aos pacien-
tes têm novas concepções por meio
da medicina nuclear.
Além disso, a especialidade
tem outra função. “A MN também
tem papel importante na identifi-
cação de focos que desencadeiam
febre de origem indeterminada, no
diagnóstico de embolia pulmonar
aguda e outras doenças ‘silencio-
sas’ do corpo humano.”
Ainda sobre diagnóstico e tra-
tamento do câncer, por exemplo,
quando essa doença atinge a tireoi-
de é necessário o tratamento des-
ses tumores com iodo radioativo.
Tais tumores são ávidos pela subs-
tância radioativa que vai provocar
a destruição dessas células, con-
forme explicação da especialista
Sonia Moriguchi.
Todos esses avanços criaram um
novo panorama da medicina nuclear
e ele mostra que tem ocorrido e ain-
da há muito espaço para crescimen-
to da especialidade no Brasil. De
acordo comMarcelo Tatit Sapienza,
médico nuclear e supervisor do
Centro de Medicina Nuclear do
Instituto de Radiologia do Hospital
das Clínicas da Universidade de São
Paulo (HC/FMUSP), a especialidade
vive ummomento favorável.
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