Página 31 - Medicina Nuclear - 01

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medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2013
31
história
equipamentos especiais como a
câmara de cintilação e o PET
(Positron Emisson Tomography), junta-
mente com a radiofarmácia, especia-
lidade farmacêutica que elabora
substâncias utilizadas nessa área
(leia mais sobre o tema na matéria da
editoria Na Prática, na página 26).
Surgimento no País
No Brasil, o início da medicina
nuclear ocorreu após os especialistas
Tede e Verônica de Eston receberem
uma bolsa de estudos da Fundação
Rockefeller (EUA) e acompanharem
de perto os laboratórios e as primei-
ras pesquisas com isótopos radioati-
vos. Ao retornarem ao País, Tede e
Verônica tornaram-se pesquisadores
da Universidade de São Paulo (USP)
e mantiveram contatos com Charles
Miller, representante da Fundação
norte-americana. Sendo assim, em
1949 eles instalaram a primeira uni-
dade de radioisótopos na América
do Sul, o Laboratório de Isótopos da
Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo
(FMUSP). Por meio dessa institui-
ção, foram realizadas diversas espe-
cializações na área que, até então,
ainda não era conhecida como
medicina nuclear.
Em pouco tempo, as salas fica-
ram pequenas para as atividades
desenvolvidas e os Eston planeja-
ram a criação de um instituto que se
dedicasse à pesquisa e ao ensino das
ciências nucleares. Portanto, em
1959 foi inaugurado o Centro de
Medicina Nuclear, anexado à
FMUSP. Durante as comemorações
de 50 anos da Sociedade Brasileira
de Medicina Nuclear (SBMN),
Verônica Eston contou sobre o iní-
cio da especialidade no Brasil, que
gerou o lançamento de uma obra
comemorativa. “O Tede era um
sonhador e gostava de projetos
ousados. Além disso, sabia conven-
cer as pessoas sobre a importância
A produção de
radiofarmárcos
no Brasil em 1959
da especialidade. Primeiro obtive-
mos o Laboratório de Radioisótopos
da Faculdade de Medicina, logo em
seguida o Centro de Medicina
Nuclear (CMN), ambos com o apoio
da Fundação Rockefeller”, explicou.
Paralelamente ao casal Eston,
em 1953, o Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares - Ipen-
CNEN (antigo Instituto de Energia
Atômica) começou a produzir radio-
isótopos e radiofármacos. De acordo
com a pioneira na especialidade
Constância Pagano Gonçalves da
Silva, nesse ano realizou-se o 1º cur-
so Latino-Americano em
Metodologia de Radiosótopos na
Faculdade de Medicina da USP.
“Em 1958, perguntei ao Rômulo
Ribeiro Pieroni, chefe da Divisão de
Radiobiologia da IEA se não pode-
ríamos iniciar a produção de radioi-
sótopos no Brasil, expus meu proje-
to ao Instituto, fui aprovada e pude
iniciar meus trabalhos na produção
de radioisótopos”, relembra.
No ano seguinte, no Rio de
Janeiro, José Augusto Villela Pedras
fundou o primeiro serviço particular
de medicina nuclear no Brasil. A
Clínica Villela Pedras continua fun-
cionando até os dias de hoje e conta
com seus filhos e netos no corpo clí-
nico. Na década de 1960, Constância
foi enviada para o Centre d’Etudes
Nucléaires da Saclay, na França, onde