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HEMO
abril/maio/junho 2013
entrevista
Fotos: ©
ASH /
Divulgação
O Brasil tem
tradicionalmente um
forte
background
e
muito interesse na
hematologia e tem
se mostrado ativo
em várias áreas
da pesquisa
hematológica .
Como editor-chefe da
Blood,
de que forma vê
esse estudo cooperativo entre países emergentes
e desenvolvidos?
A pesquisa indica que uma conduta protocola-
da de
pacientes em tratamento com uma doença
complexa pode ter
um efeito educacional consi-
derável e, também, contribuir significativamente
para o aumento do nível de cuidados médicos em
relação aos pacientes. A conduta desenvolvida no
estudo fornece aconselhamento prático, aumenta
a consciência sobre problemas médicos e estimu-
la a consulta e cooperação entre médicos espe-
cialistas. Esses fatores juntos possuem um efeito
impactante na mudança da administração clínica
desse tipo de leucemia.
Em quais aspectos esse estudo impacta o trata-
mento da Leucemia Promiélocitica Aguda (LPA)?
Esse estudo mostra de modo convincente que é
possível — não na teoria, mas na realidade do
tratamento médico — traduzir sofisticadas ex-
periências de administração clínica para áreas
de todo o mundo que tenham sido menos privi-
legiadas em relação à infraestrutura e conheci-
mentos médicos.
Como a
American Society of Hematology
(ASH) encara esse tipo de força cooperativa?
AASH está fortemente
comprometida com a edu-
cação e busca o objetivo de disseminar conhe-
cimento médico útil por diferentes meios. Com
relação a isso, a Associação teve a iniciativa de
proporcionar capacitação nessa área do tratamento
da leucemia que envolve principalmente pacientes
adultos jovens que possam se beneficiar de um
prognóstico favorável para suas doenças, desde
que tenham acesso ao tratamento de acordo com
os novos parâmetros de diagnóstico e acompanha-
mento de apoio. AASH decidiu estimular um pro-
cesso que facilitou a cooperação entre os diferentes
parceiros – hematologistas em centros brasileiros,
sul-americanos e da América Central e laborató-
rios e seus técnicos – conectando-os aos
experts
dos Estados Unidos e da Europa, proporcionando
apoio para protocolo e desenvolvimento de proce-
dimentos, fornecendo reagentes para diagnóstico
e possibilitando uma plataforma para encontros e
comunicação regulares.
Como vê a evolução de publicações científicas de
cientistas brasileiros no campo da hematologia?
O Brasil tem tradicionalmente um forte
background
e muito interesse na hematologia.
Também tem se mostrado ativo em várias áreas
da pesquisa hematológica. Isso fica visível no ní-
vel científico e no amplo interesse mostrado nos
encontros anuais organizados pela Associação
Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e
Terapia Celular (ABHH).
Hoje a
Blood
tem em seu conselho de revisão
editorial um pesquisador brasileiro (Rodrigo T.
Calado). Em sua opinião, qual a importância
dos brasileiros em relação a isso?
A
Blood
, que é publicada pela ASH, é a primeira
revista na área e realmente é um veículo interna-
cional para o qual cientistas e autores contribuem
com seus manuscritos. A publicação é popular
entre os leitores de todo o mundo. Portanto não
é de se estranhar que hematologistas e cientistas
brasileiros estejam representados entre os auto-
res, escritores e membros do conselho editorial.
Isso está em pleno acordo com a estatura da he-
matologia no Brasil.