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HEMO
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abril/maio/junho 2013
panorama
A coordenadora da residência médi-
ca nessa área da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), Benigna Oliveira,
observa que é necessário dar maior ênfa-
se ao treinamento laboratorial, tanto nos
exames rotineiros, quanto nas técnicas
mais específicas, pois após o término da
residência, muitos têm atuado na área
de hemoterapia, ainda aberta no mercado.
“A formação durante a residência tem se
mostrado insuficiente para essa atuação.”
Na opinião de Luiz Gonzaga Tone, da
Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, de Ribeirão Preto (FMUSP-
RP), os programas deveriam ser avaliados
por uma comissão nacional, pois falta um
programa básico para uniformizar o conte-
údo mínimo da residência.
Benigna acredita que o ideal é que
os programas possam contar com pre-
ceptores docentes do departamento
de pediatria e médicos experientes do
corpo clínico do serviço de hematolo-
gia pediátrica. Segundo ela, a estrutura
deve garantir acesso à casuística varia-
da, laboratório bem equipado, estágio
em serviço de TMO, participação em
projetos de pesquisa e formação em he-
moterapia, por meio de convênio com
hemocentros locais.
No entanto, “a hematologia pediátrica
já evoluiu bastante nos últimos anos”, ob-
serva Josefina Braga, da Escola Paulista
de Medicina da Universidade Federal de
São Paulo (EPM-Unifesp). Segundo a co-
ordenadora do Comitê, Sandra Loggetto,
a residência médica nessa área de atuação
ganhou mais um ano (R4). Benigna ob-
serva que, embora a maioria dos progra-
mas de residência médica em hematolo-
gia pediátrica funcione com um ano (R3),
o credenciamento do segundo ano (R4)
deve ser solicitado junto ao Ministério
da Educação (MEC). “A possibilidade do
R4 é essencial para uma boa formação.”
Na opinião de Josefina, a aprovação do
acréscimo de um ano na residência mé-
dica em hematologia pediátrica irá au-
mentar a procura pela área de atuação.
Segundo ela, um ano é um período muito
curto para o aprendizado da hematologia
e hemoterapia pediátrica, fazendo com
que os residentes fiquem mais um ano no
serviço como voluntários.
dência médica qualificados em locais onde
não há curso. O presidente da ABHH re-
latou ser possível fomentar intercâmbio
de estágios complementares entre institui-
ções de ensino.
Dados de levantamento realiza-
do pela CNRM, referentes ao perío-
do 2009/2010, indicam que em he-
matologia/hemoterapia
existiam
47
programas distribuídos em 12 estados
brasileiros, sendo 130 vagas para R1 e R2
e duas para R3. No caso dos programas
de residência médica em Transplante de
Medula Óssea (TMO), havia um total
de 12 programas, com 20 vagas em R3
disponíveis em Minas Gerais, Paraná, Rio
Grande do Sul e São Paulo. Além disso,
foi registrada ociosidade de 51,9% no total
de vagas ofertadas em hematologia e he-
moterapia, 50% em TMO e 60% em hema-
tologia pediátrica.
Maria do Patrocínio Tenório Nunes,
secretária executiva da CNRM, durante
o 1º Fórum de Residência Médica em
Hematologia e Hemoterapia
Áreas de atuação
Assim como a hematologia e a he-
moterapia, os programas de residência
médica em hematologia e hemoterapia
pediátrica também enfrentam desafios,
apresentados pelos integrantes do Comitê
de Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
da ABHH.