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abril/maio/junho 2013
educação
mentícios, no mínimo 4,2 g sejam de ferro
e ácido fólico. Vale lembrar que entram
nessa lista todos os alimentos que conte-
nham farinha de trigo ou de milho, como
pães, biscoitos, bolos, massas e doces.
Apesar do viés de combate a uma doença
que acomete tantos cidadãos brasileiros e com
legislação idêntica em outros países, o profes-
sor emérito da Universidade Federal do
Ceará (UFC), e hematologista aposenta-
do, José Murilo Martins, autor do artigo
Universal Iron Fortification of Foods:
the View of a Hemalogist,
publicado no
ano passado na
Revista Brasileira de
Hematologia e Hemoterapia
– volume 34,
questiona a resolução da Anvisa.
Para o especialista, a fortificação pode
até ser considerada um fato positivo, mas
não da forma como foi implantada no
Brasil. “A Agência optou por escolher a
fortificação universal. Independentemente
de classe social, região ou de qualquer ou-
tro fator. Não é exagero dizer que aproxi-
madamente 99% da população ingere ferro
diariamente no País”, explicou. O lado ne-
gativo da medida, de acordo com ele, é que,
da mesma forma que alguns cidadãos apre-
sentam um quadro de falta de ferro, outros
têm a hemocromatose, excesso da substân-
Questionamento
da fortificação com
Especialistas
dizem que
medida da
Anvisa para
evitar anemias
pode causar
problemas em
quem sofre
com excesso
do metal no
organismo
Por Anderson Dias
E
nriquecer alimentos com subs-
tâncias das mais diversas é
uma prática antiga no mundo.
Quem nunca provou, ou ao
menos ouviu falar das receitas em panela
de ferro? No entanto, esses procedimentos
milenares e até obrigatórios por lei em deter-
minados casos são questionados por alguns
profissionais da saúde. O assunto, inclusive
foi tema de discussão do
5º Encontro de
Glóbulos Vermelhos e do Ferro
, realizado
em São Paulo, no ano passado.
A anemia ferropriva é o tipo mais co-
mum de anemia em todo o mundo. No
Brasil, uma pesquisa da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), revela
que, em crianças de até dois anos a pre-
valência varia de 50% a 83%. Entre as
gestantes, a média nacional chega a 30%.
E no mundo, a estimativa da Organização
Mundial de Saúde (OMS) é que 30% da po-
pulação também seja portadora da doença.
De olho nesses fatos, governos de todo
o mundo e autoridades de saúde resolve-
ram adotar a fortificação do ferro em ali-
mentos básicos. No Brasil, por exemplo,
a RDC n.º 344/2002 da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina
que, a cada 100 gramas de produtos ali-
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