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HEMO
abril/maio/junho 2013
educação
Em casos como
de talassemia,
a grande
quantidade de
ferro no organismo
pode levar a
complicações e
até a morte .
cia no organismo. “Para exemplificar, nes-
ses casos, é como obrigar um diabético a
ingerir açúcar”, disse o hematologista.
Martins lembra que pacientes de he-
mocromatose são diretamente prejudica-
dos pela resolução da Anvisa. “Seria mais
prudente, por exemplo, fortificar alimentos
para um determinado grupo como crianças
e mulheres grávidas. Ou mesmo oferecer
alimentos fortificados com ferro ou não
para escolha do consumidor, como ocorre
com os
diet
e não
diet
”, opinou o médico.
Histórico da medida
A fortificação de determinados alimen-
tos não é algo novo no mundo. O ferro, por
exemplo, foi utilizado como fortificação
em 1941, nos Estados Unidos. Como o pe-
ríodo era de efervescência política, a imi-
nência de uma longa guerra era cada vez
mais forte. Preocupado com as consequên-
cias da Segunda Guerra Mundial na saúde
da população, o então presidente Franklin
Roosevelt expôs o problema e, a partir
disso, seu governo chegou à fortificação
do ferro como a alternativa mais adequa-
da. Naquelas características, a medida se
José Murilo Martins,
professor emérito da
Universidade Federal do Ceará
mostrou satisfatória em seus resultados, o
que levou outros países como Inglaterra,
Suécia e Noruega a aderirem a mesma
legislação. Houve também a adição obri-
gatória de iodo ao sal, a fim de prevenir
doenças hormonais, já que a substância
não é produzida pelo corpo humano, mas é
essencial para qualquer mamífero.
Por volta de 1948, a Dinamarca foi o
primeiro país a se lançar contra a fortifi-
cação do ferro, por possuir grandes índi-
ces de pessoas com hemocromatose. A
Suécia também decidiu deixar de fortificar
os alimentos. No entanto, nações como
Inglaterra e Noruega permanecem até os
dias de hoje com esta prática.
O ferro
Embora seja uma substância simples
de ser encontrada, cerca de 500 milhões
de pessoas sofrem de anemia ferropriva.
E isso se deve, principalmente, à perda
de sangue em diversas ocasiões normais
e também patológicas da vida, como úl-
ceras, colites, menstruações abundantes
e verminoses. Algumas fontes naturais
de ferro são alimentos como couve, algas
marinhas, brócolis, flocos de aveia, cane-
la moída, feijão vermelho e frutas secas.
A utilização de panelas de ferro também
ajuda a uma absorção maior da substância.
De acordo com artigo
Saúde de Ferro
dos Brasileiros – Algumas Conquistas,
Muitos Desafios,
do professor adjunto de
hematologia e oncologia da Faculdade de
José Murilo Martins, hematologista
e professor emérito da UFC