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abril/maio/junho 2013
HEMO |
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holofote
Por Samantha Cerquetani
N
o final da década de 1980, a hematologista francesa Eliane
Gluckman, utilizou pela primeira vez as células de sangue de
cordão umbilical humano em um transplante de medula óssea no
Hospital
Saint-Louis
em Paris, na França. A partir desse perío-
do até os dias de hoje, a prática de armazenamento de sangue de
cordão em bancos públicos e privados tornou-se comum. De acordo com dados da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a quantidade de cordões arma-
zenados vem crescendo desde 2003. Atualmente há 17 bancos privados que realizam
esse procedimento. Só entre o período de 2009 e 2010, o número de cordões no Brasil
passou de 8.866 para 11.456.
Porém, ainda de acordo com a Anvisa, segundo estatísticas, em aproximadamente
20 mil amostras de sangue de cordão armazenadas, somente uma será utilizada em
transplante até os 20 anos de idade do paciente. Além disso, para armazenar e manter
o sangue de cordão umbilical em bancos privados, os pais devem investir aproxima-
damente de R$ 2 mil a R$ 7 mil e a manutenção anual custa cerca de R$ 500.
Com o intuito de esclarecer a população a respeito desse assunto, a Associação
Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), divulgou uma nota
oficial alertando sobre a preocupação da entidade em relação ao armazenamento do san-
gue de cordão umbilical para uso autólogo. Para a Associação, não há razões para que
ocorra esse armazenamento e a entidade acredita que seja importante ressaltar que o uso
autólogo das células-tronco é recomendado apenas em casos de alto risco genético para
doenças, como anemias hereditárias – talassemia e doença falciforme.
Sangue de
cordão: vale a
pena investir?
A prática, comum no mundo todo,
causa polêmica entre os especialistas,
pois eles acreditam que os pais podem
se iludir com falsas propagandas