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HEMO
abril/maio/junho 2013
holofote
pequena possibilidade. Imagina pagar
pelo armazenamento por 20 anos e quando
chegar o momento de descongelá-las elas
estiverem mortas? É preciso ter consciên-
cia de que esse fato pode acontecer”, diz
o hematologista. E completa: “Porém, no
caso de existir uma alta incidência de cân-
cer ou doenças genéticas na família, vale
a pena. Mas, além disso, para os bancos
públicos existem agências credenciadas
e reguladoras - como a AABB e FACT-
Netcord - que certificam a qualidade do
que acontece com os bancos privados. Ou
seja, temos pouco conhecimento sobre
o processo e das condições de manuseio
das unidades de cordão utilizado por esses
bancos”, explica.
Procurada pela
Hemo em revista
,
a Coordenadora da Câmara Técnica
de Hematologia e Hemoterapia do
Conselho Federal de Medicina (CFM),
Marta Müller, relatou que o assunto
cordão umbilical são estudadas e utilizadas
em pesquisas, mas é importante lembrar
que não há comprovação científica que
justifique o armazenamento desse material
para o futuro”, opinou durante o Fórum.
Em muitos países da Europa, o arma-
zenamento privado é proibido. De acordo
com o hematologista, pesquisador e ex-pre-
sidente do grupo de trabalho de leucemias
agudas do Eurocord, Vanderson Rocha, a
legislação é rigorosa com os bancos priva-
dos na Europa. “Esses bancos aproveitam
essas pesquisas para incentivar as mães a
guardarem sangue do cordão para um uso
futuro, porém existe mais interesse econô-
mico do que científico nessa iniciativa”,
afirma. Ele também acrescenta que a possi-
bilidade de que ocorra o uso das células em
caso de doenças hematológicas, é mínima,
principalmente em leucemias ou linfomas,
que venham a ser diagnosticadas no futuro.
“A grande questão é apostar em uma
ainda não foi discutido pelo Conselho.
Sendo assim, a especialista afirmou que
não poderia se pronunciar a respeito an-
tes que ocorresse um entendimento da
plenária do CFM.
Informar é preciso
Para esclarecer à comunidade médi-
ca e a sociedade como um todo, a Anvisa
lançou recentemente uma cartilha sobre os
reais benefícios da opção pelo armazena-
mento, além de trazer informações sobre o
que é o sangue de cordão umbilical e pla-
centário e sua importância. A publicação
contém uma explicação de como é reali-
zado o armazenamento das células-tronco
contidas em bancos privados ou públicos.
De acordo com Daniel Coradi, gerente de
tecidos, células e órgãos da Anvisa, o ma-
terial também aborda questões importan-
tes que esclarecem sobre o uso terapêutico
atual e o futuro das células-tronco.
“O objetivo da cartilha é informar o
que deve ser levado em conta ao se con-
tratar um banco de sangue de cordão um-
bilical. Auxiliando na decisão entre doar o
sangue de cordão para um banco público
ou armazenar para um possível uso futu-
ro pelo próprio bebê“, define o gerente.
Compartilhando da mesma opinião, Rocha
acredita que informar é a melhor forma de
conscientizar a população sobre o assun-
to e sanar as dúvidas em geral. E Ângela
Luzo afirma que esse papel deve ser as-
sumido pelos especialistas no assunto.
“Cabe aos profissionais e pesquisadores
da área mostrar aos pais o que é verdade
no assunto e discutir o tema para que ele
ganhe repercussão”, alerta.
Em um evento realizado em São
Paulo no ano de 2010, Eliane Gluckman
deu sua opinião sobre o assunto:
“As pessoas não deveriam pagar por
pesquisas e ainda não há nenhuma prova
que o sangue do cordão possa ser usado
para terapia celular regenerativa.”
Foto: ©
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