HEMO
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abril/maio/junho 2013
holofote
de cordão umbilical até o ano de 2014.
“Essa ampliação será positiva, pois have-
rá cobertura de todo o território nacional.
A meta é atingir 80 mil unidades armaze-
nadas e disponíveis para quem necessite
de um doador”, continua.
No
1º Fórum de Hematologia e
Hemoterapia do Conselho Federal de
Medicina (CFM)
, realizado em abril de
2013, o assunto foi citado pelos especia-
listas como um tema polêmico que neces-
sita de discussão constante. Durante sua
apresentação no evento sobre
Evidências
Técnico-Científicas e Uso do Plasma Rico
em Plaquetas (PRP),
o vice-presidente da
ABHH, Dimas Tadeu Covas, ressaltou que
o congelamento de sangue de cordão para
uso autólogo é uma terapia frequentemente
usada, mas sua utilidade ainda é controver-
sa. “Há muito tempo as células-tronco do
Regulamentação no Brasil
e em outros países
Não há ainda no Brasil uma regula-
mentação específica para o uso do san-
gue de cordão umbilical. A lei brasileira
permite os Bancos de Sangue de Cordão
e Placentário para uso alogênico não
aparentado (BSCUP), de comprovada
eficácia, e Bancos de Sangue de Cordão
Umbilical e Placentário para uso autólo-
go (BSCUPA). Desde 2004, há no País
a alternativa legal para o armazenamento
do sangue de cordão umbilical e placen-
tário públicos, como a Rede BrasilCord,
lançada pelo Ministério da Saúde em
2004, com o intuito de auxiliar pacien-
tes que necessitam de células-tronco e
aguardam transplante de medula óssea.
Os bancos públicos disponibilizam um
convênio com determinadas maternida-
des para coleta dos cordões. Sendo as-
sim, as doações só podem ser realizadas
nesses hospitais, pois há equipes treina-
das para atender as gestantes e coletar o
material no momento do parto.
No ano de 2010, a Anvisa determinou
adequações nos materiais publicitários di-
vulgados pelos bancos particulares, pois
esse poderia causar uma interpretação er-
rônea a respeito da utilização do sangue de
cordão. Dando uma falsa esperança para
os pais dos bebês, que encontram-se sensi-
bilizados pelo nascimento do filho.
Para Luiz Fernando Bouzas, dire-
tor do Centro de Transplante de Medula
Óssea (CEMO) do Instituto Nacional do
Câncer (INCA), os bancos públicos es-
tão disponíveis para todos os brasileiros
que necessitem de um transplante e não
tenham um doador de medula na famí-
lia. “Em minha opinião, não vale a pena
pagar pelo congelamento de sangue de
cordão. Pois, o procedimento não é re-
comendado por nenhuma das instituições
sérias nacionais e internacionais e não
tem qualquer suporte científico. É impor-
tante relembrar que não há nada contra a
utilidade da célula-tronco e a medicina
regenerativa. As fontes como os Bancos
Públicos e a própria medula óssea são
e serão as grandes alternativas a curto e
médio prazo”, diz. Ele afirma que o Brasil
contará com mais cinco bancos de sangue
A grande questão
é apostar em uma
pequena possibilidade.
Imagina pagar pelo
armazenamento por
20 anos e quando
chegar o momento de
descongelá-las elas
estiveremmortas?
É preciso ter consciência
de que esse fato
pode acontecer. .
Vanderson Rocha, hematologista
e ex-presidente do grupo de
trabalho de leucemias
agudas do Eurocord