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abril/maio/junho 2013
reportagem
Fotos: ©
RS Press /
Divulgação
tudos, alguns leitores acreditam que seus
problemas serão resolvidos imediatamen-
te. Mas os médicos entrevistados sempre
têm preocupação em deixar claro que o
experimento costuma demorar a chegar ao
paciente”, lembrou ela.
A repórter colaboradora da Folha de S.
Paulo dá algumas dicas do que é preciso
para se produzir uma boa reportagem na
área de saúde. “É preciso basear-se em
fontes confiáveis de informação, como
instituições de pesquisa renomadas, uni-
Marília Rugani acredita que relação
entre mídia e especialistas ainda
tem espaço para progredir
Traduzir em notícia
Para receber esse tipo de informação, os
consumidores costumam utilizar ferramen-
tas como jornais, programas de TV/rádio,
sites, revistas e outros meios de comunica-
ção. Por isso, o repórter que cobre a área de
saúde não necessita ter conhecimentos de
um médico, mas precisa ter o mínimo de
noção da área, já que qualquer informação
errada pode causar efeitos adversos.
É o que considera a repórter Mariana
Scoz, jornalista especializada em saúde na
Gazeta do Povo
, maior jornal do estado do
Paraná. “Entrevistar médicos sem saber o
básico sobre o tema tratado tende a difi-
cultar e tornar a matéria muito rasa. Se já
temos o conhecimento superficial, é mais
fácil aprofundar o assunto com o entrevis-
tado”, opinou a jornalista.
Mariana citou também a importân-
cia de ponderar sempre que uma pesqui-
sa com novos tratamentos é divulgada.
“Muitas vezes, ao verem esses novos es-
versidades, órgãos oficiais, entidades que
representam especialidades médicas e en-
tidades que representam pacientes. Uma
cobertura em saúde de qualidade traz ao
leitor ou espectador informações relevan-
tes, que ele pode aplicar, muitas vezes, em
seu próprio cotidiano.”
O receio de textos com excesso de
termos técnicos está entre as preocupa-
ções de repórteres e assessores de im-
prensa da área de saúde. No cotidiano,
médicos e profissionais de saúde utilizam
palavras desconhecidas do grande públi-
co. São doenças, medicamentos, proce-
dimentos e outros detalhes que podem
tornar a leitura de um texto incompre-
ensível para um leigo no assunto. Para o
assessor da RS Press, Paulo Furstenau, é
possível produzir bom material jornalís-
tico evitando o ‘medicinês’.
O jornalista lembra que, embora o
médico tenha, de fato, de evitar tais ter-
mos em entrevistas, é função do repór-
ter deixar a informação compreensível.
“Quando é para mídia impressa, o mé-
dico pode explicar isso em detalhes ao
jornalista, que passa a ser o responsável
por traduzir da melhor forma possível. Já
para rádios ou TVs, que não permitem le-
gendas do ‘medicinês’ para o português,
é preciso realmente que o médico tenha
uma boa didática”, opinou.
Assim como médicos alertam frequen-
temente para que os pacientes não sigam
tratamentos e dados médicos encontrados
na internet sem antes consultar um profis-
sional, a mídia precisa ter o mesmo cui-
dado. Por mais básico que possa parecer,
vale lembrar que é impossível fazer um
tratamento via internet. “O problema é
que alguns leitores querem resolver seus
problemas de saúde por e-mail. O que po-
demos fazer é apenas indicar qual espe-
cialidade da medicina deve ser procurada,
porque o médico não pode diagnosticar
um paciente por e-mail”, lembrou a repór-
ter da
Gazeta do Povo
.
Outro fator importante é também a
aproximação entre repórteres e asses-
sores de imprensa. Quanto mais os dois
entram em contato uns com os outros
e criam um laço de segurança, melhor.
Esse relacionamento proporciona exati-
dão e confiança para que o trabalho seja
realizado sem erros, no tempo adequado
e com informações precisas.
Marcos Araújo (
ao centro
)
coordena equipe de comunicação
com dez pessoas no Hemorio
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